A Igreja Episcopal Anglicana

De onde viemos

Catedral de Cantuária, Sé da Igreja da Inglaterra, 1890-1900

Catedral de Cantuária, Sé da Igreja da Inglaterra, 1890-1900

O cristianismo chegou às ilhas britânicas no final do primeiro século, levado por cristãos que fugiam das perseguições. Ali, a Igreja Cristã foi estabelecida inicialmente entre os celtas que enviaram três bispos ao Concílio de Arles, em 314 d.C. Em 596, o bispo de Roma, São Gregório Magno, enviou missionários para evangelizar o sudeste da Grã-Bretanha, região conhecida por Kent, onde habitavam os anglo-saxões. Essa missão foi liderada pelo bispo Agostinho, que estabeleceu em Cantuária as primeiras comunidades subordinadas ao bispo de Roma.

A partir de então houve um gradativo processo de avanço da Igreja de Roma nos territórios celtas até que em 664 a Igreja Celta submeteu-se ao governo da Igreja Romana, adotando parcialmente seus ritos, mas mantendo diversas tradições celtas e britânicas. Na histórica Carta Magna da Inglaterra de 1215 já se lia a expressão “Ecclesia Anglicana”. Assim, em 1534, a Igreja Anglicana voltou a separar-se da Igreja Romana por decisão do Parlamento após iniciativa do Rei Henrique VIII.

Após recuperar sua autonomia, o anglicanismo deixou-se influenciar positivamente pelo movimento da Reforma, sem deixar de preservar as mais puras e sadias tradições católicas antigas, expressas na liturgia contida no Livro de Oração Comum.

Leia mais em nossa página sobre a Comunhão Anglicana.

Em nossa pátria

No Brasil o anglicanismo chegou em duas etapas no século XIX:

  • por meio dos imigrantes ingleses que aqui se estabeleceram a partir de 1810, sendo então a primeira Igreja reformada em solo brasileiro a ter permissão para construir seus próprios templos. Nessa época, a Igreja de Roma era a religião oficial do Império;
  • e através do trabalho de missionários norte-americanos da Igreja Episcopal, que a partir de 1890 colaboraram na evangelização do nosso povo.
Logo IEAB

O símbolo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Estes dois movimentos estabeleceram as bases da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB). Somos a 19ª Província Eclesiástica da Comunhão Anglicana.

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil também possui seu logotipo ou símbolo. Ele é formado por uma flâmula ou bandeira estilizada, nas cores vermelho e azul, sobre a qual foi colocada uma cruz, histórico emblema do Cristianismo. As cinco estrelas acesas representam o Cruzeiro do Sul e nos lembram que foi em terras brasileiras, no sul do país, que a Igreja Episcopal iniciou o seu trabalho de evangelização. Foi usado pela primeira vez em 1990, por ocasião das comemorações do seu primeiro centenário.

Assista também ao episódio “Igreja Anglicana – convívio de diferenças” da série de documentários “Retratos de fé”, da TV Brasil.

Princípios essenciais do Anglicanismo

Bíblia Sagrada

Acreditamos que as Sagradas Escrituras contêm toda revelação necessária para que a humanidade alcance vida plena. Toda nossa doutrina e liturgia sustentam-se na Bíblia Sagrada.

Os Credos Apostólicos e Niceno

Escritos no tempo da igreja indivisa, constituem a confissão normativa da fé católica que preservamos ainda hoje.

Os Sacramentos

A Igreja Anglicana é uma igreja sacramental. Professamos o Santo Batismo e a Santa Eucaristia como legítimos sacramentos diretamente ordenados por Cristo e instrumentos da graça salvífica de Deus.

Episcopado histórico

Professamos que a autoridade transmitida por Cristo aos apóstolos e esses aos seus sucessores (incluindo nossos bispos) é, ao mesmo tempo, garantia e expressão da catolicidade e apostolicidade da Igreja.

Ser anglicano significa…

… Ser parte da Igreja Católica de Cristo, sem excluir ou isolar-se de outros cristãos. Participar da vida do povo de Deus, com suas alegrias e tristezas. Pertencer a uma comunidade onde cada pessoa é respeitada em sua individualidade e pode utilizar os seus talentos. Apresentar uma teologia baseada nas Escrituras Sagradas e na Tradição, coerente com a inteligência e com a razão. Estar disposto a celebrar a unidade na diversidade. Considerar com seriedade as Escrituras Sagradas, sem crer que cada passagem deva ser interpretada literalmente.

Preferir a liberdade em Cristo, mais do que a uniformidade de opiniões.

…Sentir devoção e reverência pelos Sacramentos, sem tentar definir cada ponto desses grandes mistérios. Conceber o ministério, como dever e privilégio de todos os batizados. Insistir na moralidade (aquilo que é bom e edifica) e evitar o moralismo (que define a salvação decorrente de uma conduta e não pela obra de Cristo). Participar da herança apostólica, a fé no Evangelho de Cristo. Ser parte de uma história antiga e sagrada, que se renova a cada dia. Crer que a Igreja é de todos e que todos têm o privilégio de sustentá-la segundo a possibilidade de cada um.

Participar da administração e do governo da Igreja segundo a ordem estabelecida. Pertencer a uma família internacional, intercultural e inter-racial que por mandato de Cristo, proclama o Evangelho até o último rincão da terra.