Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
II CARTA PASTORAL DOS BISPOS
SOBRE SEXUALIDADE HUMANA
“Se seus sonhos estiverem nas nuvens, não se preocupe,
eles estão nos lugares certos; agora, construa os alicerces”. (Shakespeare)
“A relação sexual não se realiza na sua
potencialidade, se não levar em consideração o amor e a justiça em relação à
outra pessoa”. (I Carta Pastoral dos
Bispos, 1997)
Celebramos os 10
anos da I Carta Pastoral dos Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
sobre a Sexualidade Humana. O que nela foi dito ainda é atual para a Igreja
hoje. No entanto, diante dos acontecimentos posteriores àquela época, que
implicaram na deserção de um bispo e de vários clérigos no Nordeste e noutras
partes da Comunhão Anglicana no mundo, resolvemos voltar ao assunto, divulgando
de novo aquela carta e chamando a atenção para sua leitura e aprofundamento.
Faz parte da
tradição em nossa Comunhão o respeito às diferenças de opinião em relação a
questões que não são essenciais ao princípio da Revelação divina. Este
princípio diz que “Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo.”
Tudo que a Bíblia diz que não se refira à essência desta Revelação é
secundário, ou seja, faz parte da cultura e dos costumes daqueles que foram instrumentos
de Deus para a redação dos textos escriturísticos. Para nós, a Bíblia é a
Palavra de Deus no sentido de mensagem de Deus e não ditado de Deus. Por isso,
ao longo dos séculos, a Igreja vai discernindo o que é essencial e o que é secundário,
o que é revelação divina e o que é mediação humana, sempre ligada a cada época
e cultura. Esse discernimento não se faz simplesmente por opiniões de
indivíduos ou de grupos. Para isso, todo o povo da Igreja é chamado a colaborar
com seu “senso de realidade” e seu “bom senso”, formado pela fé e pela própria
experiência de vida. A Tradição é isso, é a Bíblia sendo lida, ao longo dos
séculos, na vida do povo de Deus, sob a guia do Espírito Santo. A luz da Razão
também nos é de grande auxílio. É necessário examinar as Escrituras com a ajuda
da reflexão teológica e das ciências para discernir, em cada tempo, o que Deus
nos quer dizer, para que possamos experimentar na vida a obra divina da
reconciliação.
Vemos que em nosso
seio têm surgido elementos cismáticos e desagregadores que não se conformam com
o fato de que há na Comunhão Anglicana correntes que divergem de seu modo de
pensar. Percebemos que há quem tenha convicções autênticas; a esses, o nosso
respeito, com a afirmação de que são nossos irmãos e irmãs. Há quem se dedique
a fomentar a divisão por razões não teológicas, tais como orgulho e anseio pelo
poder ou fatores de outra natureza. Ora, isso gera perversas distorções, tanto
em relação à natureza da comunhão da Igreja (Eclesiologia), quanto em relação à
maneira de interpretar a Bíblia (Hermenêutica). Tanto uns como outros, chamamos
ao bom senso e à união. Não é da nossa Tradição a submissão a uma Cúria ou
qualquer outro órgão autoritário de doutrina ou prática. Cremos na liberdade de
pensamento, pois “a verdade nos libertará”. Cremos na virtude da tolerância,
tão característica do Anglicanismo, que é capaz de sustentar a comunhão em
redor da mesa do Senhor e o companheirismo na missão de Deus. Isso é um
processo que se desenvolve e amadurece lentamente, com diálogo e paciente
escuta uns dos outros, e resulta naquilo que a Igreja chama de sensus fidelium
, isto é, o sentir comum do povo crente.
Reafirmamos que
cremos na inclusão. O estabelecimento de fronteiras ou divisões entre as
pessoas, os grupos e os povos é fruto da exclusão que nos cega dentro de nossos
limites e do dogmatismo fanático e inibidor da liberdade humana. Sob o amor
ilimitado de Deus devemos construir os alicerces para a concretização de nossos
sonhos. O Espírito Santo age por meio deles na construção de uma nova humanidade.
Esta nova humanidade se realiza na aspiração de Nosso Senhor Jesus Cristo de
que “todos sejam um”.
Nas linhas de
nossa I Carta Pastoral foram expressadas as conclusões de nossos I e II
Congressos sobre Sexualidade Humana. Reconhecemos que há ainda entre nosso povo
muitas dúvidas sobre questões de sexualidade humana. Por isso, recomendamos ao
clero que se aprofunde em seu conhecimento sobre o assunto para que tenham
instrumentos pastorais adequados no atendimento de suas congregações.
PORTO ALEGRE,
dezembro de 2007
Dom Maurício
José Araújo de Andrade, Primaz
Dom Edmundo Knox
Sherril
Dom Clovis Erly Rodrigues
Dom Luiz Osório
Prado
Dom Almir dos
Santos
Dom Glauco Soares de Lima
Dom Jubal Pereira Neves
Dom Orlando
Santos de Oliveira
Dom Celso
Franco de Oliveira
Dom Naudal
Alves Gomes
Dom Sebastião
Armando Gameleira Soares
Dom Filadelfo
Oliveira Neto
Dom Hiroshi Ito
Dom Saulo
Maurício de Barros
Dom Renato da
Cruz Raatz
Dom Roger
Douglas Bird