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SOBRE JUNTA
PAROQUIAL E DINÂMICAS
DE GRUPO
Índice
1. Sobre a
Junta Paroquial 3 1.1 – Igreja como Povo de Deus 3 1.2 – A comunidade Cristã 4 1.3 – A Junta Paroquial 5 a. Membros
da Junta Paroquial 6 b. Tempo de
serviço 6 c. Cargos 6 d. Conselho
executivo 9 e.
Obrigações dos membros da Junta Paroquial 9 f. Reuniões 9 g. Ordem em
uma reunião 10 h. O
desenrolar da reunião 10 i. Comissões 14 1.4 - Assembleia Geral da paróquia 14 2. Dinâmica
de grupos 15 2.1 – O trabalho realizado em grupos é
importante 15 2.2 – Todos podemos ser líderes 15 2.3 – Em geral 16 Apêndice 1 Como participar de uma reunião 18 Tipos de participantes de um grupo 18 Apêndice 2 Como matar a sua igreja 19 Apêndice 3 A moderna Junta Paroquial 20 Apêndice 4 Um sonho sobre a igreja do futuro 22 1. Sobre a Junta Paroquial
1.1 – Igreja como Povo de Deus
Cristo é luz para os povos. Ao anunciar
sua boa nova, seu Evangelho, sua mensagem, as pessoas o seguiam; com isso, formou-se uma comunidade de crentes que, na
língua grega, se chamava “ekklesia”. Aquela comunidade inicial de admiradores e
seguidores de Cristo cresceu até se tornar a Igreja Cristã, espalhada hoje por
todo o mundo. A Igreja é formada pela comunidade de
crentes, que coloca sua fé na mensagem de Cristo, reúne-se para adorar a Deus,
receber seu amor e transmiti-lo ao resto da humanidade. A Igreja de Cristo é maior que as
denominações cristãs individuais. A Igreja de Cristo compreende todas as
denominações cujos membros se dizem seus seguidores. Por isso, hoje, para
evitar a confusão que, no passado, se originou com a diversidade de
denominações cristãs, a Igreja chama-se também de Povo de Deus.
A Igreja Episcopal Anglicana é parte do
Povo de Deus. Proclamamos ao mundo a mensagem de Cristo, a mensagem de salvação
e amor a todo o gênero humano. Sem ele, não seríamos mais que uma organização
humanitária. Cristo vive em nosso meio, inspira-nos e fortalece-nos para
continuarmos sua obra (Cf. Mt. 28, 19-20 ; Col. 1,18). 1.2 – A comunidade cristã
A comunidade cristã inicial de seguidores
de Cristo cresceu, formando a Igreja Católica de Cristo. Esta Igreja, este Povo
de Deus, realiza sua obra em pequenas comunidades. Os cristãos reúnem-se em comunidades que chamamos
“paróquia”. Um grupo dessas paróquias forma uma diocese, presidida por um
bispo.
Assim como o bispo se serve dos
sacerdotes para difundir a mensagem de Cristo, também o sacerdote se serve da
comunidade cristã para difundir a mensagem de salvação. O sacerdote não escolhe os fiéis como se
a Igreja fosse uma empresa. Os fiéis foram chamados e salvos por Deus. A fé é
um dom divino. Cada fiel recebe talentos de Deus para levar avante a obra de
salvação (Ef. 2,8-10; 4,11-13). Cada membro de uma paróquia deve pôr em prática
os dons recebidos em função do bem comum, para a edificação do corpo total, que
é o Corpo de Cristo. Cada comunidade local coloca a serviço da
Igreja seus talentos e isso redunda em uma diversidade universal, que põe em
destaque a riqueza divina derramada sobre seus filhos amados. 1.3
– A Junta Paroquial
Em todo grupo de pessoas, é necessária
uma liderança, uma organização e uma estrutura. As paróquias suprem essa
necessidade com uma organização que se chama Conselho ou Junta Paroquial.
A Junta Paroquial é formada por um grupo
de líderes comprometidos em difundir a obra da Salvação de Cristo Jesus. A
Junta Paroquial atua representando a paróquia. Os membros que a integram não
devem realizar todo o trabalho, mas devem
assegurar-se de que o maior número possível de fiéis participe das metas
a serem alcançadas. Sim, são responsáveis para que a obra cristã de salvação
não fique parada ou sequer paralisada. A paróquia, reunida em assembleia geral,
vota para escolher pessoas que se têm mostrado interessadas em servir na Junta
Paroquial. É dever da Junta Paroquial:
u Eleger, ou reeleger, em reunião extraordinária, com a
presença mínima de dois terços de seus membros e de acordo com os cânones, o
Reitor que há de servir à paróquia, por prazo determinado pela própria Junta
Paroquial e acordado com esse, nunca superior a cinco anos, e prover os
recursos necessários a seu trabalho e para sua manutenção, despesas com
transporte, bem como residência, previdência e estipêndio, respeitando sempre o
piso salarial aprovado em Concílio. u Eleger, a cada
ano, entre seus membros, seus oficiais, de acordo com os Cânones Diocesanos,
bem como eleger e enviar ao Concílio, para cada reunião desse, os delegados
leigos que representarão a paróquia e seus respectivos suplentes. u Cooperar com o Reitor nas ações sociais, missionárias,
devocionais, educacionais e todas as demais ações que se fizerem necessárias
para o desenvolvimento da paróquia e administrar, em conjunto com o reitor, os
recursos da paróquia. u Dotar o templo e todas as propriedades da paróquia da
infraestrutura necessária para seu funcionamento regular e convocar a
assembleia geral da paróquia. a. Membros da Junta Paroquial
u Para ser eleito membro da Junta Paroquial, o
paroquiano deve apresentar confluência das seguintes condições: u Ser batizado, confirmado, maior de 21 anos,
participante assíduo da celebração da Santa Eucaristia e demais ofícios na
paróquia u Ser fiel na adoração comunitária e conhecer as normas
doutrinárias da Igreja. u Ter feito e mantido um compromisso de contribuir
financeiramente de forma regular para manutenção da paróquia, tendo como alvo,
nas contribuições regulares, a prática do dízimo, conforme determinado nos
Cânones Diocesanos. u Deve ser pessoa com uma visão de futuro para a
paróquia. u Deve ser pessoa com capacidade de trabalho em grupo,
aberta ao diálogo e com capacidade de ouvir e respeitar opiniões conflitantes,
buscando sempre o consenso para o bem da comunidade. b. Tempo de serviço
Cada membro da Junta Paroquial exercerá
seu cargo durante três anos. Quando se forma pela primeira vez a Junta Paroquial,
alguns serão eleitos para exercer durante um ano, outros, para dois anos e
outros, para três anos. Vencido o segundo mandato, não podem ser reeleitos
antes de passado um ano de vacância. Os Cânones Gerais da IEAB preveem que uma
Junta Paroquial deve contar, no mínimo,
com três membros, sendo seu número sempre múltiplo de três. Cada paróquia
ajustará o número de membros da Junta em proporção aos membros da paróquia.
Mas, como os membros da Junta não devem realizar todo o trabalho da paróquia,
porém organizar e delegar, considera-se que 12 pessoas é um número ideal para
uma Junta Paroquial. c. Cargos
Os cargos são estes: 1º Guardião, 2º
Guardião, Secretário, Custódio do Patrimônio e Tesoureiro, bem como outros
oficiais necessários ao bom andamento do trabalho da paróquia. Compete ao 1º Guardião, que representa, na vida da paróquia, depois do
Reitor, a mais alta autoridade (teste): 1.
Presidir as
reuniões da Junta Paroquial nos impedimentos do Reitor. 2.
Na ausência ou
impedimento do Reitor, coadjutor e ministros leigos, cuidar que as reuniões de
culto público sejam devidamente dirigidas, responsabilizando-se pela ordem
geral dentro das normas da IEAB. 3.
Receber as
ofertas do povo por ocasião dos ofícios religiosos. 4.
Anotar os dados
para o registro paroquial na ausência do Reitor ou a pedido desse. 5.
Assessorar o
Reitor, a pedido desse, no estudo e solução de casos disciplinares. 6.
Ser responsável
pela acolhida cordial das pessoas que comparecerem aos ofícios públicos. Compete
ao 2º Guardião: assessorar o 1º em todos
os seus atos e substituí-lo nos seus impedimentos.
1.
Registrar todos os atos da Junta
Paroquial, lavrando ATA oficial das reuniões da Junta Paroquial quando das
Assembleias. 2.
Redigir e enviar
todas as correspondências da paróquia, sempre de acordo com as instruções da
Junta Paroquial e do Reitor. 3.
Responsabilizar-se
pelos trabalhos da secretaria e dos documentos inerentes a seu cargo, bem como
pelo arquivo paroquial. 4.
Quando a paróquia
tiver pessoa contratada para os serviços de secretaria, os trabalhos descritos
nos itens “2”e “3” serão a ela delegados mediante supervisão do Reitor. Compete
ao 2º secretário assessorar o 1º em
todos os seus atos e substituí-lo nos seus impedimentos. O Tesoureiro é eleito pela Junta
Paroquial, não sendo necessário ser
membro dessa, devendo, entretanto, ser escolhido somente entre os membros da
paróquia em plena comunhão. Compete a ele: 1.
Receber,
contabilizar e depositar em conta corrente da paróquia todos os valores que lhe
forem confiados. 2.
Escriturar todos
os valores que lhe forem confiados em livro próprio ou controle informatizado,
que deverão ser submetidos à apreciação do Reitor. 3.
Elaborar a
previsão orçamentária anual, submetendo-a à apreciação da Junta Paroquial. 4.
Elaborar
relatórios financeiros, mensais e anuais, para apreciação da Junta Paroquial,
bem como o trienal e o anual para serem remetidos à Diocese. 5.
Providenciar
todos os pagamentos que tiverem de ser feitos pela paróquia, manter tudo registrado
e arquivar os seus comprovantes. 6.
Permitir, em
qualquer tempo, tanto pela Junta Paroquial, quanto pelo Reitor, o exame direto
de tudo o que se relaciona com a tesouraria. 7.
Assinar, em
conjunto com o Reitor, a movimentação bancária, de acordo com as normas do
banco em que a paróquia mantiver suas contas. 8.
Quando a paróquia
contratar um profissional para trabalhar na administração, como é comum em
algumas paróquias dos Estados Unidos e da Inglaterra, essa pessoa deverá
desempenhar várias funções que são atribuídas ao Tesoureiro, sempre sob a
supervisão desse e do Reitor. Ao
2º Tesoureiro compete assessorar o
primeiro em todos os seus atos, bem como em substituí-lo nos seus impedimentos. O Custódio do Patrimônio é eleito
pela Junta Paroquial entre seus membros,
e compete a ele: 1.
2.
Relatar, nas
reuniões ordinárias da Junta Paroquial, a respeito do patrimônio da paróquia e
suas necessidades. Providenciar
a identificação dos bens móveis e imóveis da paróquia, usando meios
apropriados, bem como realizar o tombamento dos bens em livro ou meio
informatizado próprios. d.
Conselho Executivo
Apesar de não previsto nos Cânones
Gerais, nem nos Estatutos da maioria das paróquias, muitas comunidades possuem
um Conselho Executivo, que trabalha em nome da Junta Paroquial e que, no
interregno das reuniões ordinárias, trabalha junto com o Reitor para solucionar
e intervir em casos de emergência. Integram-no , de direito, o 1º Guardião, o
Custódio do Patrimônio, o Tesoureiro e o Reitor, que é seu presidente ex-ofício. Para a criação deste
Conselho, deverá ser utilizado o referendo da Junta Paroquial, podendo o Reitor
cooptar até dois outros membros da igreja em plena comunhão que, por seu
conhecimento específico do assunto, possam trazer uma contribuição prática na
solução e decisão sobre a questão de emergência. e. Obrigações dos membros da Junta Paroquial
1.
Assistir a todas
as reuniões. 2.
Orar juntos com
regularidade. 3.
Conhecer os
regulamentos da Junta Paroquial, bem como os Cânones Gerais e Diocesanos. 4.
Dialogar com os
membros da congregação, buscando opiniões e o consenso da comunidade. 5.
Trabalhar em
conjunto com os outros membros da Junta. 6.
Ajudar pessoas
com vocação sacerdotal, orando e apoiando-os na caminhada para o ministério da
Igreja. 7.
Desenvolver as
propostas paroquiais. f. Reuniões
Os
Cânones Gerais da IEAB não preveem a regularidade das reuniões; todavia cremos
que uma O Reitor pode convocar uma reunião
extraordinária, indicando por escrito o propósito dessa. Também a maioria da Junta pode fazê-lo
por escrito, com pauta específica. Se a paróquia não tem Reitor, o 1º Guardião
pode convocar a reunião extraordinária. O Reitor preside todas as reuniões, mas,
em sua falta ou impedimentos canônicos, a Junta Paroquial é presidida pelo 1º
Guardião. Uma vez que o Reitor preside a comunidade Eucarística e é o líder
espiritual da paróquia, é muito apropriado que ele presida as reuniões. Quando
se estuda, ao final do ano, o estipêndio do Reitor para o ano seguinte, é
aconselhável que ele se ausente da reunião e que o 1º Guardião a presida. g. Ordem em uma reunião
Para que haja ordem em uma reunião,
deve-se seguir um plano de trabalho, conhecido normalmente como agenda. O esquema tradicional é o
seguinte : 1.
Inicia-se com uma
oração ou um devocional. 2.
É feita a leitura
da ata da reunião anterior, que é submetida à aprovação. Se houver correções,
será refeita a ata. 3.
Leitura e
aprovação do balancete do tesoureiro. 4.
Correspondências
recebidas. 5.
Relatórios das
comissões. 6.
Assuntos
pendentes da reunião anterior. 7.
Assuntos novos. 8.
Avisos. 9.
Encerramento. 10. Nenhuma reunião da Junta Paroquial deve durar mais de
duas horas. h. O
desenrolar da reunião
Para que haja ordem em uma reunião, é
importante observar certas normas conhecidas como “Regras parlamentares”, usadas
em procedimentos parlamentares. Em primeiro lugar, tem que haver um quorum, ou certo número mínimo de
pessoas para que se possa levar a cabo uma reunião. A metade dos membros mais
um formam o quorum. Se, durante uma reunião, se quer que um
projeto, que foi apresentado, seja aprovado, alguém tem de fazer uma proposta. Para isso, tem de pedir ao
presidente a permissão para fazer a proposta.
Então a pessoa diz: “Proponho que se
pinte a Igreja por fora”. Se alguém mais estiver de acordo, diz: “Estou de acordo”. Se ninguém houver
secundado a proposta, o presidente pergunta: “Alguém secunda esta proposta?” Se ninguém a apoiar, a proposta
morrerá. Se alguém a secundar, o presidente diz: “Foi apresentada uma proposta de pintar a Igreja por fora. Antes de votar,
há algum comentário sobre o assunto?” Então se escutam os comentários. Para
intervir, deve-se levantar a mão e falar somente sobre o tema. Após breve
discussão, o presidente pergunta: “Estão
prontos para votar?”. Vota-se de várias maneiras: levantando a
mão, com um “sim” ou um “não”, colocando-se em pé, passando uma lista
(providenciada pelo Secretário) ou em secreto. Para que uma proposta passe, tem de votar
a favor dela mais da metade dos presentes. A isso se chama maioria. Se todos votam iguais, é voto unânime. O Reitor, ou o 1ºGuardião (na ausência do
reitor), não vota, salvo em caso de desempate. Nas reuniões deve reinar uma conduta de sinceridade. Os membros
devem dizer o que pensam, com amor cristão, sem ofender a ninguém. Os que não
estejam de acordo com uma decisão tomada é melhor que o digam na reunião, e não
fora dela, criando dissensões e fofocas, causando divisões na paróquia. Consenso.
Nas decisões importantes de uma
paróquia, como para eleger ou reeleger o Reitor, ou outro assunto de capital
importância, deve-se buscar o consenso. Isso não quer dizer que todos estejam
cem por cento de acordo, mas que, após suficiente diálogo, todos possam aceitar e apoiar a decisão tomada. Alguns critérios podem ser utilizados
para facilitar esse processo de eleição ou reeleição de um Reitor. Conforme nos
relata Rick Warren, no livro Uma Igreja
com Propósitos, Parte 1, capítulo 1: “Igrejas saudáveis são guiadas por
pastores que estão dirigindo a mesma igreja por um longo período. Um ministério
longo não garante que a igreja irá crescer, mas a mudança constante de pastor
garante que esta igreja não irá crescer. Imagine como seria para as crianças se
elas trocassem de pai a cada dois ou três anos? Elas com certeza teriam sérios
problemas emocionais. Da mesma maneira, a longevidade da liderança é um fator
crítico para o crescimento e a saúde da “família-igreja”. Longos pastorados
proporcionam profundos, fiéis e íntimos relacionamentos. Sem este tipo de
relação, um pastor não conseguirá alcançar resultados duradouros. Igrejas que trocam de pastores com
frequência nunca vão experimentar um crescimento consistente. Acredito que esta
seja a razão do declínio de algumas denominações. Limitando propositadamente a
administração do pastor na igreja local, criam-se ministérios onde os pastores
são incapacitados do ponto de vista espiritual e administrativo. Poucas pessoas
querem seguir um líder que não vai estar presente daqui a um ano.O pastor
talvez queira começar muitos projetos novos, mas os membros ficam hesitantes,
porque mais tarde eles serão os responsáveis pelas consequências, pois o líder
terá mudado para outra igreja.” Gary L. McIntosh, na revista americana Leadership,
lista várias questões para auxiliar pastores a tomarem a decisão acertada
quanto à questão de saírem para uma outra paróquia, as quais poderão ser
aplicadas aos membros da Junta no processo de eleição ou reeleição de um novo
reitor. Destacamos algumas delas: u “Estou nesta
paróquia tempo suficiente para atingir meus anos mais produtivos? Pesquisas
demonstram que os anos mais produtivos começam a partir do sexto ou sétimo ano
de trabalho em determinada paróquia. Isto deve me levar a perguntar se já fiz o
meu melhor pela congregação. Estou disposto e sou capaz de continuar
trabalhando arduamente aqui ? u Ainda tenho planos ou sonhos para esta paróquia?
Realizar um trabalho sem ter um objetivo ou um sonho, algo pelo qual batalhar,
certamente é improdutivo. Vejo a possibilidade de realizar aquilo que tenho
planejado? u Estou apto a atender às oportunidades de ministério
que estão surgindo para a congregação? É minha vontade acompanhar a congregação
em seu crescimento espiritual? ” Podemos citar ainda John Stott, o mais
conhecido teólogo atual de ênfase evangelical da Comunhão Anglicana, em seu
livro Os Desafios da Liderança Cristã, capítulo
3: “Nós, cristãos, às vezes, pensamos que, sem mais nem menos podemos adotar
os métodos seculares de tomada de decisões. No processo democrático secular, as
decisões tomam-se por simples maioria: 51 a favor, 49 contrários, ganha a
proposta majoritária. Há muitas igrejas e corpos eclesiásticos que tomam
decisões dessa maneira, mas tenho plena convicção de que isso angustia o
Espírito Santo. Tomar decisões com uma simples votação da maioria demonstra
falta de confiança no Espírito Santo, e uma falta de respeito à minoria. O
Espírito Santo é o espírito da verdade e amor e aqueles de nós que temos uma
mente cristã deveríamos buscar o consenso”. E, citando um exemplo prático,
ocorrido em sua própria igreja, a Paróquia de Todas as Almas, em Londres, que
costumava utilizar um dia inteiro de consulta a cada ano para debater assuntos
importantes: “Num determinado ano, o debate foi se
deveríamos utilizar uma linguagem mais moderna nos cultos. Deveríamos continuar
dirigindo-nos a Deus como “Tu, que vês...” ou como “O Senhor, que vê...” ? De
minha parte, eu era propenso a usarmos uma linguagem mais moderna. Mas havia
muitas pessoas de idade avançada na congregação que amavam a beleza da
linguagem antiga. Houve um debate acalorado. Era evidente que o grupo estava
dividido quase que equilibradamente; poderíamos chegar a uma solução por meio
de uma votação, mas tínhamos decidido não utilizar este método de tomada de
decisão. Ao fim do dia, disse-lhes que deixaríamos o assunto pendente,
esperaríamos mais um ano, pensaríamos sobre o assunto, oraríamos e quem
quisesse poderia fazer circular um memorando com suas convicções. Chegou o dia do ano seguinte em que
trataríamos outra vez daquele tema, e fui orando ao me dirigir para a reunião.
Tivemos um pouco mais de diálogo. Finalmente, a decisão foi unânime a favor de
uma linguagem mais moderna para os cultos nas noites dos domingos, permanecendo
nos cultos matutinos o estilo antigo. Para mim, foi um maravilhoso exemplo de
como necessitamos respeitar uns aos outros, e esperar que o Espírito Santo nos
guie em direção a uma posição em comum e nos dê o seu tempo para a tomada de decisões. Estou certo de que poderemos manter
relacionamentos mais sadios e respeitosos se valorizarmos as pessoas e se
aplicarmos esse revolucionário princípio de agirmos em nome de Cristo, e também
tratarmos o nosso próximo como se fosse o próprio Senhor Jesus”. Por
fim, o Rev. Carlos Calvani afirma: “na Comunhão Anglicana, convivem tendências
diversas (Anglo-católicos, Evangélicos, Liberais, Conservadores, Carismáticos,
etc), teologias contraditórias, formas de liturgias diferentes e principalmente
pessoas...Como são contraditórias as pessoas. Nenhuma delas é totalmente boa ou
totalmente má. Não adianta projetarmos nossas expectativas morais ou
espirituais sobre as pessoas e mais tarde condená-las por não corresponderem
aos nossos ideais. Tenho aprendido, a duras penas, a respeitar os limites da
condição humana. E, como são as pessoas que vivem a experiência de ser Igreja,
naturalmente, as comunidades serão um reflexo das próprias contradições de seus
membros...” No
essencial UNIDADE, no não essencial A LIBERDADE, e em todas as coisas A
CARIDADE (Santo Agostinho de Hipona) As ponderações acima devem servir-nos como orientação na busca para
alcançarmos um consenso, que não irá significar uma uniformidade perfeita, mas
a decisão que em geral reflete melhor o espírito de uma congregação que
reconhece a Cristo como seu Senhor e Salvador. i. Comissões
A Junta Paroquial representa as comissões
da paróquia. Pelo menos um membro da Junta deve estar em cada uma das
comissões, mas não tem de ser o presidente delas. Algumas comissões são:
liturgia, educação, missão, mordomia, convivência (vida paroquial),
administração. A missão de toda Junta Paroquial é servir
a congregação. Por isso, nem todas as Juntas Paroquiais hão de seguir o mesmo
modelo. Em congregações pequenas, a estrutura de comissões talvez não funcione. 1.4 - Assembleia Geral da paróquia
Os membros da Junta Paroquial que estava
funcionando no ano anterior devem estar presentes nesta reunião e apoiá-la em
todos os aspectos. Nessa reunião, são apresentados, por
escrito, os relatórios do que foi realizado no ano anterior, especialmente os
relatórios do Tesoureiro e os das comissões. Todos os membros da paróquia, em plena
comunhão, têm a oportunidade de dar sua opinião sobre o exposto e de apresentar
novos assuntos. Apresentam-se as propostas, explica-se e
estuda-se. Os fiéis podem fazer comentários e apresentar sugestões. Finalmente
aprova-se. Os
paroquianos elegem os membros para assumir cargos na Junta Paroquial para os
três anos seguintes. 2. DINÂMICA DE GRUPOS
2.1 – O trabalho realizado em grupo é
importante
Tem-se que ter presente o seguinte: u Ninguém tem todas as respostas e soluções. u Um projeto pertence ao grupo quando todos colaboraram. u Quando há confiança entre os membros do grupo,
podem-se apresentar novas ideias sem precisar defendê-las e sem medo de estar
enganado. u Conversando, aclaram-se as ideias e ajudamos aos
outros a aclararem as suas. u Às vezes, custa-se a aceitar uma ideia nova, mas
crescer normalmente necessita sacrifício. u Também é difícil reconhecer que pode haver mais de um
ponto de vista válido. Com frequência, não há resposta verdadeira ou falsa. Nem
todos devem estar de acordo, embora gostaríamos que fosse assim. u Ao tratar-se de um problema difícil, emergem opiniões
diferentes; se nossa meta é nobre, devemos aceitá-las para que nos ajudem a
pensar. Trabalhamos juntos para edificar, não nosso castelo, mas o Corpo de
Cristo. 2.2 – Todos podemos ser líderes
Ao trabalharmos juntos, com
responsabilidade, damo-nos conta de que o líder não tem de fazer tudo. A tarefa
do líder é colocar o grupo em marcha, voltando ao tema, quando seus integrantes
se distraírem, e resumir, ao final de tudo, o que foi dito. O bom líder é como
o capitão de uma equipe que inicia o jogo para que todos participem. O líder consegue isso quando:
1.
Vem preparado,
explicando a razão da reunião. 2.
Oferece sugestões
sobre como solucionar o plano proposto. É
flexível, aceitando trocas que o grupo oferece para chegar ao objetivo. 3.
Segue o curso da
conversação de tal maneira que pode oferecer um resumo dessa a qualquer tempo. Outras funções do líder são:
1.
Animar: “É uma
excelente ideia”. 2.
Expressar o
estado de ânimo do grupo: “Creio que precisamos de um descanso”. 3.
Harmonizar:
“Pedro e Rosa estão mais de acordo do que parece. Vejamos!” 4.
Colaborar: “Tua
ideia é boa. Vamos experimentá-la temporariamente.” 5.
Perguntar a
todos: “Carlos, gostaria de fazer algo?” Outras funções que podem ajudar ou não:
1.
Agressividade:
“Assim, não vamos chegar a lugar nenhum.” 2.
Dependência:
“Estou de acordo contigo.” 3.
Resistindo:
“Temos de voltar ao tema”, quando esse, na verdade, foi rechaçado pelo grupo. 4.
Dominando: “Calem-se
todos, quero dizer algo.” 2.3 – Em geral
Todos
os presentes devem participar do tema em estudo. Não se trata de agradar ao líder ou a um amigo, senão
de alcançar o objetivo proposto, de alcançar a meta, e, para isso, todos devem
contribuir sem se preocupar com o que os outros pensem, mas, sim, com que suas
ideias, embora não sejam aceitas, possam ajudar outros a compreender melhor o
tema tratado. O importante é sermos nós mesmos,
conservando a própria individualidade sem imitar ninguém ou querer agradar a
alguém. É
preciso concentrar-se no tema,
oferecendo sugestões referentes a esse, sem pronunciar discursos. Não se trata
de ter razão, porém, de edificar sobre o
tema. É preciso
escutar com atenção. Se não
estivermos atentos, não poderemos edificar sobre o tema, nem ajudaremos os
outros a entenderem o assunto. É
preciso falar com clareza, usando uma
linguagem que todos possam compreender, sendo específico. Critica-se
a ideia, não a pessoa. Para entender
o tema tratado, é bom oferecer outros pontos de vista, favoráveis e contrários,
para que o tema seja perfeitamente compreendido. Assim, não se verá isso como
uma crítica à pessoa que apresentou o tema. APÊNDICE 1
COMO PARTICIPAR DE UMA REUNIÃO
1.
FALAR FRANCAMENTE
– dizer o que pensa, pois as ideias de todos são muito importantes. 2.
SABER OUVIR O QUE
OS OUTROS DIZEM. 3.
NÃO INTERROMPER
QUEM ESTÁ FALANDO – levantar o dedo e esperar a vez. 4.
NÃO FICAR SENDO O
SENHOR DA DISCUSSÃO. 5.
QUANDO NÃO
ENTENDER, FAZER PERGUNTAS – nunca ficar na dúvida. 6.
DAR SUA OPINIÃO,
MESMO QUE SEJA DIFERENTE DA DOS OUTROS. 7.
LEVAR ASSUNTOS
PARA A REUNIÃO. SEMPRE PROCURAR PARTICIPAR DA REUNIÃO. 8.
CONFIAR NO GRUPO
MAIS DO QUE EM SI MESMO TIPOS DE PARTICIPANTES DE UM GRUPO
CORUJA: não fala, mas presta muita atenção. Nunca dá a
sua opinião. BORBOLETA: pula de um assunto para outro, sem parar em
nenhum.
CAVALO: dá patadas em todos.
CAMALEÃO: está sempre de acordo com a maioria.
MACACO: é inteligente, mas vive fazendo gracinhas. APÊNDICE 2
COMO MATAR SUA IGREJA
1.
Não frequente a
igreja, mas, quando for lá, procure algo para reclamar. Se comparecer a
qualquer atividade, encontre falhas nas programações. 2.
Nunca aceite uma
incumbência. Lembre-se de que é mais fácil criticar do que realizar. Se o
Reitor, a Junta Paroquial ou qualquer outro líder pedir sua opinião sobre um
importante assunto, responda que não tem nada a dizer e, depois, espalhe como
deveriam ser as coisas. 3.
Não faça mais do
que o absolutamente necessário; porém, quando a liderança estiver trabalhando
com boa vontade e interesse para que tudo corra bem, afirme que sua igreja é
dominada por um “grupinho”. 4.
Não leia os
boletins da paróquia e muito menos os comunicados. Afirme que ambos não
publicam nada de interessante ou, melhor ainda, diga que não os recebe regularmente. 5.
Se for convidado
para ocupar qualquer cargo, recuse alegando falta de tempo e, depois, critique
com afirmações do tipo: “Esta turma quer ficar sempre nos cargos...”. 6.
Quando tiver
divergências com o Reitor, procure, com toda a intensidade, vingar-se dele. Faça ameaças de abrir processo ético e
envie cartas às demais lideranças locais e em outros níveis com acusações
pesadas à liderança. 7.
Sugira, insista e
cobre a realização de eventos. Quando a igreja for realizá-los, não se
inscreva. Nem compareça. 8.
Se receber um
questionário solicitando sugestões, não preencha e, se a liderança não
adivinhar suas ideias e pontos de vista, certifique e espalhe a todos que é
sempre ignorado. 9. Após toda essa colaboração espontânea, quando cessarem
as publicações, as reuniões, os eventos e todas as demais atividades, enfim,
quando sua igreja morrer, estufe o peito e afirme com orgulho: EU NÃO DISSE? APÊNDICE 3
A MODERNA JUNTA PAROQUIAL
A Junta Paroquial teve sua origem na
Inglaterra. A sua forma moderna, porém, ela a ganhou na América do Norte. Perante a lei eclesiástica, tanto quanto
a civil, é ela reconhecida como uma instituição oficial, encarregada dos
assuntos temporais da paróquia. Suas atribuições estão especificadas na
Constituição e nos Cânones da Igreja. É ela composta da seguinte maneira: o
pároco da igreja (seu presidente ex-oficio), dois guardiões e um variável número de membros da paróquia, em
plena comunhão. Os cânones dizem que a Junta pode ser formada de três, seis,
nove ou doze membros. Os componentes da Junta representam a
paróquia perante a lei; cuidam de suas propriedades; administram seus bens e,
no caso de uma paróquia emancipada, escolhem o pároco quando vaga a reitoria. É
ainda a Junta a responsável pela manutenção do pároco. No início das Juntas Paroquiais, pelo
menos nos Estados Unidos, uma de suas atribuições era zelar pela pureza das
congregações, informando-as das transgressões e pecados de seus componentes.
Como se vê, era uma espécie de polícia moral e espiritual. Hoje, a Junta tem caráter administrativo,
sem interferir, no entanto, na distribuição de esmolas aos necessitados, o que
é da alçada exclusiva do pároco. Uma de suas mais importantes missões,
nestes dias de grandes paróquias, é a preparação do orçamento paroquial,
cuidando de levantar fundos para poder executá-lo. Na verdade, uma Junta bem
avisada não pensa somente nas necessidades correntes da igreja, mas olha para o
futuro. Isso quer dizer que ela prevê reformas, ampliações, embelezamento dos
edifícios paroquiais; cuida em ter meios para o financiamento da obra
educacional, por intermédio da Escola Dominical, etc. Entretanto,
é sempre bom lembrar, sua maior responsabilidade é com referência ao salário de
seu pároco e de funcionários que, porventura, a paróquia tenha. Outro dever da Junta é cuidar de que os
compromissos da paróquia para com a diocese sejam atendidos em tempo próprio, a
fim de que esta possa se manter e cumprir seu programa. A Junta, no entanto, não tem autoridade
para interferir nos ofícios religiosos quanto à música, tipo de ritual, etc...
Essas coisas são, segundo os Cânones, da responsabilidade exclusiva do
ministro. Não pense, porém, seja a Junta meramente
uma organização financeira. Seus componentes, com os Guardiões à frente, devem
ser a “mão direita” do pároco, com ele estudando a melhor maneira de fazer
crescer a sua igreja, de ampliar seu trabalho, de expandir o Reino de Deus. Eis um exemplo – considerar a
oportunidade de estabelecer capelas e missões em lugares, dentro dos limites
paroquiais, onde a influência da matriz não pode chegar. Um membro da Junta deve ser sempre um
paroquiano fiel, regularmente participando dos ofícios religiosos, aos domingos
e em ocasiões especiais; sendo capaz de manter com qualquer pessoa palestra
elucidativa a respeito da sua Igreja e da sua Fé. Uma paróquia verdadeiramente eficiente,
pois, será aquela em que o pároco, a Junta e todos os membros – cada um em sua
esfera de atividades – trabalharem em cooperação, boa vontade e disposição,
visando à Glória de Deus e à expansão do Seu Reino. APÊNDICE 4
UM SONHO SOBRE A IGREJA DO FUTURO
Possa ela ser Uma Igreja onde é bom viver, onde você pode respirar, e dizer o que pensa. Uma Igreja de liberdade Uma Igreja que ouve antes de falar, que acolhe em vez de julgar, que perdoa sem querer condenar, que anuncia em vez de denunciar. Uma Igreja de misericórdia. Uma Igreja onde o Espírito Santo possa se sentir em casa, porque nada foi previsto, fixado antes. Uma Igreja aberta. Uma Igreja cujo povo não dirá “veja, como eles são organizados” mas “veja, como eles se amam”. Igreja de Saint Denis Igreja de subúrbios, ruas e casas próprias, você ainda é pequena, mas está fazendo progresso. Você ainda é frágil, mas você está cheia de esperança. Levante a sua cabeça e olhe: O Senhor está com você. Poema
de autoria de um bispo francês e citado pelo Arcebispo de Cantuária no sermão
de encerramento da 27ª Convenção Geral da Igreja Episcopal dos Estados Unidos.
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