Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - Diocese de São Paulo
Paróquia de São João
Artigo: Um batismo, uma esperança no chamado de Deus

UM BATISMO, UMA ESPERANÇA NO CHAMADO DE DEUS

O RELATÓRIO DA COMISSÃO ESPECIAL DA IGREJA EPISCOPAL E DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

Uma mensagem dos organizadores da Convenção Geral

 

Caros Irmãos e Irmãs em Cristo:

Na função de organizadores nós nomeamos a Comissão Especial da Igreja Episcopal e da Comunhão Anglicana ao final de 2005. Foi solicitado à Comissão Especial que preparasse o modo de consideração pela 75ª Convenção Geral de recentes desenvolvimentos na Igreja Episcopal e na Comunhão Anglicana, tendo sempre em vista manter o maior grau de comunhão possível. Eles se saíram muito bem dessa tarefa tão difícil. Nós recomendamos o trabalho deles para vocês junto com nossa grande gratidão a eles.

Nós desejamos fazer aqui três observações. Primeiro: embora esse relatório seja um ponto de partida para decisões legislativas – e inclui onze resoluções – ele é primeiramente e acima de tudo um documento teológico. O seu foco principal está no nosso entendimento da nossa participação como membros da Comunhão Anglicana na vida Trinitária de Deus e na missão de Deus para a qual somos chamados.

Segundo: pensou-se o relatório como o ponto inicial para um colóquio que terá lugar em Columbus sob a égide do Espírito Santo. Isto é, a intenção é iniciar a conversação, não finaliza-la; a Comissão se viu como que preparando a Convenção Geral a responder das maneiras mais sábias possíveis. Novamente nós agradecemos aos membros da Comissão Especial, que foram servidores desse processo de discernimento.

Terceiro: em continuidade ao cuidadoso trabalho feito pela Comissão a Convenção Geral está sendo convidada ao Processo de Windsor e aos subseqüentes desdobramentos da nossa vida em comum na Comunhão Anglicana. Através de sua participação e solicitude, de seu falar atencioso e de seu escutar respeitoso você nos ajudará a avançar no atual processo de compreensão mútua sobre o que significa ser parte e membro do corpo ressurrecto de Cristo que se manifesta em uma Comunhão mundial.

Devemos enfatizar aqui que os membros da Comissão, que representam uma grande gama de opiniões e convicções, trabalharam em um espírito de generosidade e koinonia incríveis. Nós oramos para que este mesmo espírito caracterize a nossa recepção a este relatório e ao trabalho a seguir para o qual ele nos preparou.

Seus em Cristo,

Sua Graça Reverendíssima Frank T. Griswold, Sua Graça George L. W. Werner, Bispo Presidente e Presidente Primaz, Câmara dos Representantes.

UM BATISMO, UMA ESPERANÇA NO CHAMADO DE DEUS

O RELATÓRIO DA COMISSÃO ESPECIAL DA IGREJA EPISCOPAL E DA COMUNHÃO ANGLICANA.

MEMBROS

Rt.Rv.Mark S. Sisk, Nova York

Rev.Dr.Ian T. Douglas, Massachussets

Srª Sarah Dylan Breuer, Maryland

Rev.Dr.A. Katherine Grieb, Virginia

Rev.Dr.Mark Harris, Delaware

Rt. Rev.Dorsey F. Henderson Jr, Carolina do Sul

Rt.Rev.Katharine Jefferts Schori, Nevada

Rt.Rev.Henry Louttit, Georgia

Rev.Charles E. Osberger Easton

Rev.Canon Rosemari G. Sullivan, Virginia

Srª Katherine Tyler Scott, Indianapolis

Rev. Francis H. Wade, Washington

Sr. Christopher Wells, Indiana

Rev.Sandra A. Wilson, Newark

ENCONTROS

7 de novembro de 2005

20 de dezembro de 2005

13 a 15 de fevereiro de 2006

6 e 7 de março de 2006

27 de março de 2006

SUMÁRIO EXECUTIVO

S1. A Comissão Especial da Igreja Episcopal e da Comunhão Anglicana foi formada no final de 2005 pelo Bispo Presidente e pelo Presidente da Câmara dos Representantes para assistir a 75ª Convenção Geral na consideração de acontecimentos recentes na Igreja Episcopal e na Comunhão Anglicana, procurando sempre manter o mais alto grau de comunhão possível. As principais fontes consideradas pela Comissão Especial foram: O Relatório Windsor da Comissão de Comunhão de Lambeth, o Boletim do Encontro dos Primazes em Dromantine na Irlanda, em 2005 e as resoluções do 13º Encontro do Conselho Consultivo em Nottingham na Inglaterra, em junho de 2005.

S2. O nosso relatório é dividido em seis seções e uma breve conclusão, sendo oferecidas onze propostas de resoluções para a 75ª Convenção Geral. São colocados como apêndice para consulta os documentos da Comunhão Anglicana, da Câmara dos Bispos e do Conselho Executivo da Igreja Episcopal.

S3. O nosso relatório se inicia com uma introdução (seção I) que estabelece a base bíblica e teológica do nosso entendimento de comunhão. Do mesmo modo que no Relatório de Windsor nós nos reportamos aos Efésios e a 1 Coríntios em nossa discussão sobre a natureza da comunhão. A introdução enfatiza que nós somos irmãs e irmãos em Cristo através do batismo, reunidos no companheirismo eucarístico e unidos em serviço à missão de Deus no mundo.

S4. A Seção II apresenta um breve relato de acontecimentos na Igreja Episcopal e na Comunhão Anglicana desde a última Convenção Geral. Alguns aspectos do Relatório Windsor, o Encontro dos Primazes em Dromantine e o 13º encontro do Conselho Consultivo Anglicano são revistos no contexto de desenvolvimentos inter-anglicanos. São notadas respostas da Casa dos Bispos e do Conselho Executivo da Igreja Episcopal.

S5. A Seção III do relatório apresenta uma discussão teológica e eclesiológica da natureza da interdependência na Comunhão Anglicana. Consistente com as seções A e B do Relatório Windsor esta seção do nosso relatório enfatiza que a unidade da Igreja e a sua participação na missão de Deus estão intrinsecamente unidas.

S6. A Seção IV discute expressões de pesar e de contrição da Igreja Episcopal. Igual às afirmativas feitas pela Casa dos Bispos nós recomendamos que a 75ª Convenção Geral expresse pesar pela dor causada pelas nossas ações na 74ª Convenção Geral e se arrependa das vezes que nós da Igreja Episcopal agimos como que se não precisássemos um do outro (1 Coríntios 12:21) na Comunhão Anglicana.

S7. A Seção V pesquisa cinco “convites” para a Igreja Episcopal como modos para vivermos mais plenamente nossa vida em comum na Comunhão Anglicana. (i) Em relação às eleições para o episcopado, nós recomendamos que se tenha muito cuidado na nomeação, eleição, aceitação e consagração de bispos cuja maneira de vida apresente um desafio para a igreja no geral e que leve a mais tensões na comunhão. (ii) Esclarecendo que a Convenção Geral não autorizou Ritos de Benção públicos para uniões do mesmo sexo, nós nos alinhamos com o Relatório Windsor e sugerimos que a Igreja Episcopal não proceda para autorizar esses ritos no momento. Ao mesmo tempo nós tomamos consciência que é necessário manter “um espaço de resposta particular para situações de cuidado pastoral individual” para pessoas gays e lésbicas. (iii) Nós reconhecemos que existe a necessidade de cuidado pastoral para aqueles que possam discordar com o seu bispo diocesano e assim recomendamos “Cuidando de Todas as Igrejas” (Supervisão Pastoral Episcopal Delegada) à Convenção Geral. (iv) Nós notamos que na Comunhão Anglicana existe um consenso crescente e comprometimento às Metas de Desenvolvimento do Milênio, que objetivam erradicar a pobreza extrema e outras realidades no mundo que negam a vida. Nós sugerimos que o serviço em comum para alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio seja a nossa testemunha da nossa unidade na missão de Deus na Comunhão Anglicana. (v) Finalmente, nós recomendamos o “Processo Windsor” e o “Processo de Escuta” para a Comunhão Anglicana, como meios pelos quais se possam conceber responsabilidades mútuas e interdependências maiores.

S8. A Seção VI traça precedentes de pactos na Igreja Episcopal e na Comunhão Anglicana como uma resposta à nossa unidade na missão de Deus. São descritos três tipos de possibilidades de pactos para a Comunhão Anglicana, a saber: canônico/estrutural, doutrinário/confessional e missional/relacional. Nós recomendamos que a Igreja Episcopal participe ativamente do processo que leve ao desenvolvimento de um Pacto Anglicano.

S9. Em conclusão, nosso relatório e nossas recomendações são oferecidos como testemunha da nossa unidade no Corpo de Cristo na Comunhão Anglicana e ao serviço do nosso chamado comum à missão de Deus de reconciliação. Após o relatório são colocadas as resoluções da Comissão Especial propostas para a 75ª Convenção Geral, com os seguintes títulos: Comprometimento para Interdependência na Comunhão Anglicana, Expressão de Arrependimento, Eleição de Bispos, Ritos Públicos de Benção para Uniões de Mesmo Sexo, Cuidado Pastoral e Supervisão Pastoral Episcopal Delegada, Atenção Continuada para as Metas de Desenvolvimento do Milênio, Comprometimento aos Processos Windsor e de Escuta, Processo de Desenvolvimento para o Pacto Anglicano, “Reinvidicação Plena e Igual” para Todos os Batizados, Direitos Humanos para “Pessoas Homossexuais”, e Emenda III.1: Quadrilátero e Exercício do Ministério.

 

UM BATISMO, UMA ESPERANÇA NO CHAMADO DE DEUS

O RELATÓRIO DA COMISSÃO ESPECIAL DA IGREJA EPISCOPAL E DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

I.                   Introdução

 

1.     “Só há um corpo e um espírito, como você foi chamado para a esperança do seu chamado, um Senhor, uma fé, um batismo, um Deus e Pai de todos, que está acima de todos e através de todos e em todos” (Efésios 4:4-6). A carta aos Efésios apresenta esta verdade como a base da unidade da Igreja, a nossa inspiração para levar uma vida de humildade digna do nosso chamado, e também a fonte da ordenação do ministério da Igreja, na medida que “a graça foi dada a cada um de nós de acordo com a medida do presente de Cristo...que alguns seriam apóstolos, alguns profetas, alguns evangelistas, alguns pastores e mestres, para equipar os santos para o trabalho do ministério, para a construção do Corpo de Cristo, até que todos nós alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, a maturidade, para a medida da estatura plena de Cristo” (Efésios4:7-13). Estas palavras são a estrutura deste relatório e estavam sempre na nossa mente enquanto membros da Comissão Especial da Igreja Episcopal e da Comunhão Anglicana. O nosso encargo era o de assistir a 75ª Convenção Geral a responder ao Relatório Windsor (referido como “WR”), ao Boletim do Encontro de Primazes em Dromantine na Irlanda, em fevereiro de 2005 (referido como “Dromantine”) e às resoluções do 13º Encontro do Conselho Consultivo Anglicano em Nottingham na Inglaterra, em junho de 2005 (referido como “ACC-13”), sempre com a perspectiva de manter o mais alto grau possível de comunhão na Comunhão Anglicana e continuando a viver com pontos de vista divergentes de homens e mulheres fiéis.

2.     Nós gostamos da afirmação do arcebispo Robin Eames no prefácio do Relatório Windsor, de que “este Relatório não é um julgamento. É parte de um processo. É parte de uma peregrinação em direção à cura e à reconciliação.” Do mesmo modo, nós desejamos enfatizar que o relatório da Comissão Especial é mais um passo nessa peregrinação. Esperando que o nosso trabalho se torne uma contribuição substancial e frutífera, nós temos a convicção que as imensuráveis riquezas dos propósitos de Deus para a Igreja Episcopal e para a Comunhão Anglicana – sem dúvida, para todo o Corpo de Cristo e sua participação na missão de Deus no mundo – são tantas que não haveriam relatórios de comissões ou ações de convenções  em número suficiente para explora-las completamente. Pela graça de Deus nós fomos entrelaçados com todos os seguidores de Jesus em um Corpo de Cristo e “falando a verdade com amor” nós nos esforçamos “para crescer nele de todo o jeito, ele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor” (Efésios 4:15-16). Pela graça de Deus nós partilhamos a confiança de São Paulo que Ele, que começou um bom trabalho entre nós, irá completá-lo no dia de Jesus Cristo (Filipensis 1:6) e nós agradecemos a Deus pelo contínuo movimento do Espírito através da Igreja nos compelindo a viver mais plenamente e mais profundamente como um só Corpo o nosso Pacto Batismal, a unidade em Cristo e a participação na missão de Deus no mundo.

3.     Do mesmo modo que o Relatório Windsor, reconhecemos que Efésios e 1 Coríntios em particular são básicos em relação à natureza e às implicações do nosso chamado à unidade em Cristo. Cristo é verdadeiramente a nossa paz, trazendo para perto os que estavam longe e demolindo toda barreira de hostilidade entre as pessoas, formando uma nova humanidade e reconciliando todos com Deus em um Corpo – unidos não através de leis e ordenações mas através da cruz (Efésios 2:3-16). Nós podemos afirmar que nós somos chamados para viver juntos como cristãos de um modo que a qualidade e os frutos das nossas relações sirvam como um sinal e um gostinho do mundo do amor que cura que irá um dia colocar todas as coisas nos lugares certos – a reconciliação com Deus e juntos em Cristo, que é o fim da Criação e a missão de Deus.

4.     Como São Paulo, nós reconhecemos que a nossa unidade surge do nosso Batismo em comum no qual recebemos o dom do Espírito: “Porque em um Espírito nós fomos todos batizados em um corpo – judeus ou gregos, escravos ou homens livres – e todos fomos levados a beber de um só Espírito” (1 Coríntios 12:12). Quando as nossas comunidades estão passando por bons momentos, as nossas diferenças em perspectiva, experiência e vocação funcionam como um lembrete para todos de que somos um Corpo em Cristo com muitos membros, cada qual com dons do Espírito para a construção do Corpo e para avançar na missão de Deus (Romanos 12:4-8 e 1 Coríntios 12:4-31). Contudo, freqüentemente os Cristãos se comportam como se fôssemos batizados em uma facção ao invés do Corpo de Cristo pleno, usando as nossas diferenças individuais como justificativas para dissensões ou divisões (1 Coríntios 1:10-16) ou como uma explicação para poder dizer “eu não preciso de você” a uma irmã ou um irmão em Cristo (1 Coríntios 1:12-21). Nós somos irmãs e irmãos de verdade por causa do Batismo que nós compartilhamos, nascidos do Espírito como filhos de um Pai. Essa ligação familiar é de longe a metáfora da escritura mais comum e mais central das nossas relações uns com os outros em Cristo, aparecendo no Novo Testamento mais de duzentas vezes.

5.     O fato de nós nos vermos como irmãos e irmãs em Cristo expressa não só como ou através de qual ação nós nos relacionamos entre nós; isso tem implicações para todas as dimensões da nossa vida em comum, pela adoção e graça nós nos percebemos membros de uma só família. No mundo antigo a interação entre irmãos era a arena principal, uma das poucas, na qual homens e mulheres podiam se associar com liberdade uns com os outros. Entre irmãs e irmãos não precisava haver competição para honrarias e bens; o nome era o da família e os bens a sua herança partilhada. De modo semelhante, sendo irmãos e irmãs em Cristo, a comunidade de Jerusalém “estava junta e tinha tudo em comum; eles vendiam seus bens e possessões e distribuíam o resultado entre todos, segundo a necessidade de cada um” (Atos 2:44-45): porque deixar uma irmã ou um irmão destituído enquanto outro tem posses envergonha toda a família.

6.     Atos 2 continua, de modo significativo:”Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos” (Atos 2:46-47). A Eucaristia, se realmente é a refeição do Senhor, expressa essa unidade que nós compartilhamos através da graça de Deus, e o chamado de Deus para nós, enquanto irmãs e irmãos, expressa esta unidade toda vez que partimos o pão. Nós notamos que entre todas as palavras mais pesadas que São Paulo usa quando se referia os inúmeros problemas que dividiam a igreja em Corinto, ele enfatiza as mais duras acusações de profanação do Corpo e do Sangue de Cristo (1 Coríntios 11:27-30) – para aqueles que “comem e bebem sem discernir o Corpo”. Ele passa uma descompostura naqueles que fazem uso da Eucaristia para dramatizar divisões entre facções no Corpo de Cristo e para separar o rico do pobre, deixando os pobres famintos e cuidando menos daqueles que Deus mais honra. Destarte, nós gostamos muito que o compromisso dos Primazes e do Conselho Consultivo Anglicano para com a implementação das Metas de Desenvolvimento do Milênio atue como um lembrete de que o nosso Batismo em comum e a celebração da Eucaristia pedem por justiça, pela repartição dos bens e para dar direitos aos desassistidos entre as nossas irmãs e irmãos pelo mundo.

7.     Ao final, nós desejamos dizer sem meias palavras que, tendo no pensamento o chamado de Deus para nós no nosso batismo em comum, nas obras do nosso Senhor crucificado e ressuscitado e na partição do pão na Eucaristia, nós estamos muito tristes com o tamanho da contribuição que nós da Igreja Episcopal tivemos, por ação ou inação, na divisão no Corpo de Cristo – especialmente que tirou energia e meios que seriam melhor usados no trabalho de Cristo de curar os enfermos, alimentar os famintos e libertando os oprimidos. Pela graça de Deus e com a ajuda de Deus nós pretendemos procurar meios de curar e reconciliar essas divisões. A Seção IV deste relatório irá tratar em detalhes o nosso profundo pesar por essas divisão e desperdício, e o nosso desejo por honrar Cristo honrando e procurando reconciliação com as nossas irmãs e irmãos ao redor do mundo.

8.     A missão de Deus, na qual nós participamos como Corpo de Cristo, é  importante demais e a riqueza da abundante vida que Cristo nos oferece na comunidade é tão grande que não podemos deixar de procurar reconciliação constantemente. A Eucaristia é mais do que um lembrete do nosso Batismo em comum; ela nos chama para ficarmos reconciliados em Jesus Cristo, na sua morte e ressurreição. São Paulo apontou questões retóricas: “Paulo foi crucificado para você? Ou você foi batizado em nome de Paulo?” explica melhor a questão maior que as inclui:”Cristo foi dividido?”(1 Coríntios 1:13). Enquanto que, a nossa unidade no Batismo vem da efusão da graça de Deus, o nosso chamado batismal é o de viver do modo de Jesus de um modo que, não somente com os nossos lábios mas com nossas vidas, nós proclamemos Jesus Cristo crucificado. As nossas relações uns com os outros como irmãs e irmãos e como membros de um Corpo são indissoluvelmente estabelecidas por Deus; a nossa identidade batismal nos chama (Efésios 5:1-2) “de crianças amadas”, para “sermos imitadores de Deus....e para vivermos em amor, como Cristo nos amou e se entregou por nós, uma oferta perfumada e um sacrifício a Deus.” Este tem sido o ensinamento da Igreja desde os seus primeiros dias, como esta proclamação antiga a respeito de Cristo:

....pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai (Filipenses 2:6-11).

                  

9.     Como irmãos e irmãs de um Pai e seguidores do Cristo diante do qual todo joelho deve curvar-se por causa de seu amor, nós confessamos que não existe nenhum outro mestre numa fraternidade que reconhece Jesus como Senhor e essa liderança é expressada corretamente apenas por aquele que é a origem ou a Cabeça da Igreja – Jesus, o Cristo, a expressa plenamente. A nossa eclesiologia enquanto anglicanos coloca que a autoridade é derivada da comunidade como um todo (o laos pleno ou povo de Deus, incluindo os bispos), na qual

A autoridade....é distribuída entre a Escritura, a Tradição, os Credos, o Ministério da Palavra e os Sacramentos, o testemunho dos santos e o consensus fidelium....É portanto uma autoridade dispersa, mais do que centralizada, possuindo muitos elementos que se combinam, interagem e se checam mutuamente; estes elementos juntos contribuem por um processo de apoio mútuo, checagem mútua e correção de erros e exageros na plenitude multifacetada da autoridade que Cristo entregou à sua Igreja. Sendo essa autoridade mediada não apenas de um só modo mas de vários, nós reconhecemos nessa multiplicidade a amorosa provisão de Deus contra as tentações da tirania e os perigos do poder sem crítica.

Nós entendemos que o dom das Ordens Sagradas é baseado no chamado inicial do Batismo e os ministros ordenados – diaconal, sacerdotal e episcopal – são separados para servir e estimular a participação de todos os membros do Corpo na missão de Deus. Pensando que o papel de todo o povo de Deus seja representar Cristo no mundo, muitos expressam reservas a respeito de uma eclesiologia que sustenta que os bispos somente é que representam Cristo. Melhor,  o ministério apostólico dos bispos flui dos dons do Espírito que são derramados sobre todo o povo de Deus através do nosso Batismo em comum.

10. Nós também notamos que a Comunhão Anglicana se desenvolveu diretamente como resultado do colonialismo. Os colonizadores do império britânico encontraram terras com civilizações antigas e abundantes mas freqüentemente encaravam estas irmãs e irmãos dessas terras como sendo somente objetos, problemas a resolver ou recursos a serem explorados. De modo semelhante, a hegemonia política, cultural e econômica americanas – uma dinâmica da qual as igrejas americanas não ficaram imunes em suas relações com as outras das outras nações – perpetuou e aprofundou ressentimentos por todo o mundo. Contudo, pela graça de Deus, e apesar de suas origens na expansão colonial, a Comunhão Anglicana tornou-se uma fraternidade na qual nós podemos nos ouvir uns aos outros com  profundidade, procurar reconciliação e potencialmente dar testemunho ao mundo do poder de Cristo para redimir e curar tudo o que nos separa uns dos outros e de Deus. Apesar da desconfiança difusa de motivos presente nas igrejas e no mundo, nós reconhecemos, como São Paulo, que “Cristo é proclamado de todos os modos....E nisso eu me rejubilo”(Filipenses 1:18).

11. Finalmente, nós vivenciamos a riqueza da fraternidade centrada em Cristo entre nós nessa Comissão Especial e seríamos negligentes se não agradecêssemos por tudo o que aprendemos e apreciamos no curso do nosso trabalho em conjunto. Nós viemos de uma ampla variedade de experiências e perspectivas mas juntos experimentamos a bênção de sermos estimulados, encorajados e instruídos por essas diferenças, de um modo que nos lembra de que nós somos de fato um Corpo com muitos membros, cada qual tendo recebido dons do Espírito para o crescimento da Igreja e o avanço da missão de Deus.

 

II.                História

 

12. A Comissão Especial da Igreja Episcopal e da Comunhão Anglicana foi designada pelo Bispo Presidente e pelo Presidente da Câmara dos Representantes. Os membros da Comissão Especial, escolhidos de modo a representar toda a diversidade e a amplitude teológica da Igreja Episcopal, reuniram-se pela primeira vez em novembro de 2005. Era encargo da Comissão assistir a 75ª Convenção Geral em suas deliberações em relação ao WR e o seu desenrolar subseqüente na Comunhão Anglicana, sempre procurando manter o máximo de comunhão possível. O relatório e as resoluções que acompanham serão submetidos ao comitê legislativo apropriado da 75ª Convenção Geral encarregado de oferecer respostas aos pedidos de nossos irmãos e irmãs anglicanos expressos no WR e em documentos relacionados.

13. Na conclusão do WR há uma petição às igrejas da Comunhão Anglicana “para procurar modos de reconciliação e curar nossas divisões.” O relatório pede especialmente à Igreja Episcopal que expresse o nosso desejo de continuar a nossa caminhada juntos com as outras igrejas da Comunhão Anglicana após a nossa decisão de ordenar como bispo uma pessoa que vive declaradamente um relacionamento estável com outra pessoa do mesmo sexo. O ato da Igreja Episcopal de consentir com a eleição e consagrar como bispo uma pessoa que mantém este tipo de união levantou muitas questões em outras igrejas da Comunhão Anglicana e também para alguns membros da Igreja Episcopal. As questões incluíam: quais são os meios disponíveis para reconhecer a vontade de Deus na medida em que temos que reinterpretar os textos da Escritura? Qual é a relação entre autonomia e interdependência dentro da Comunhão; como se equilibra liberdade para pensar, orar e agir do modo como acreditamos que Deus está nos chamando com a nossa responsabilidade para com uma comunidade maior? Quais são os laços que nos unem dentro da Comunhão Anglicana? Como se reconhece um consenso adequado na Comunhão? Qual é o lugar das pessoas gays e lésbicas nas nossas culturas e nas nossas igrejas? O quanto de diversidade no pensamento teológico é aceitável dentro da Comunhão, de uma província, diocese ou congregação? Essas questões são fundamentais para a nossa compreensão da natureza da comunhão e da interdependência no anglicanismo.

14. Considerando essas questões, a Comissão Especial pensou ser útil rever a história da Comunhão Anglicana nos últimos três anos e como a Igreja Episcopal se situa nela. Este período da história informou o trabalho da Comissão Especial e forneceu as fontes básicas para este relatório. Como já mencionado antes essas fontes básicas são: o Relatório Windsor da Comissão de Lambeth sobre Comunhão (WR), o boletim do Encontro dos Primazes em Dromantine  em fevereiro de 2005 (Dromantine) e as Resoluções do 13º Encontro do Conselho Consultivo Anglicano em Nottingham, Inglaterra em junho de 2005 (ACC-13).

15. Após a 74ª Convenção Geral o arcebispo de Cantuária, Sua Graça Reverendíssima Rowan Williams, convocou um encontro especial de primazes no Palácio Lambeth em outubro de 2003. Como uma reação às ações da Igreja Episcopal e a decisão da Diocese de New Westminster na Comunhão Anglicana do Canadá de autorizar a bênção para uniões do mesmo sexo, os primazes convocaram a designação de uma comissão para estudar a natureza da comunhão no anglicanismo. Esta comissão, designada Comissão de Lambeth sobre Comunhão, foi formada com um corpo diversificado de dezessete leigos, sacerdotes, bispos e arcebispos de quatorze igrejas da Comunhão Anglicana. Foi dado um ano à Comissão de Lambeth para completar o seu trabalho, sendo então o Relatório Windsor liberado em outubro de 2004. O WR é basicamente um estudo da natureza da Igreja e da comunhão. Ele não enfoca diretamente questões da sexualidade em geral nem da homossexualidade especificamente. Mais precisamente, o WR introduz a Comunhão Anglicana em um processo de discernimento a respeito da natureza e da unidade da Igreja. Dentro da Comunhão Anglicana, esse processo vem sendo referido como o “Processo Windsor.”

16. O WR foi utilizado no encontro regular dos primazes da Comunhão Anglicana, que se encontraram em Dromantine, na Irlanda, em fevereiro de 2005. Em seu boletim de Dromantine, os primazes comentaram o Processo Windsor. Eles “receberam de bom grado o impulso geral do Relatório Windsor como um elemento positivo para a vida em comum na nossa Comunhão,”elogiando algumas conclusões e desafiando outras; e enfatizaram a Resolução I.10 da Conferência de Lambeth de 1998 como sendo “o padrão de ensinamento cristão em assuntos de sexualidade humana.” Dromantine se ocupou não apenas com o WR mas também com outras preocupações da vida em comum na Comunhão Anglicana, enfatizando bastante as Metas de Desenvolvimento para o Milênio (MDG) e a Educação Teológica na Comunhão Anglicana (TEAC).

17. Em Dromantine os primazes também convidaram a Igreja Episcopal (EUA) e a Igreja Anglicana do Canadá a retirar voluntariamente os seus membros do Conselho Consultivo Anglicano (o corpo consultivo oficial da Comunhão, composto por leigos, bispos, sacerdotes e diáconos) para o período até a próxima Conferência de Lambeth. Embora algumas pessoas levantaram a questão de que se era ou não apropriado que o Encontro dos Primazes interviesse no trabalho do Conselho Consultivo Anglicano, esse convite poderia ser encarado como uma forma da Igreja Episcopal e da Igreja Anglicana do Canadá mostrarem pesar por suas ações. Se tivesse sido aceito, isso significaria que a Igreja Episcopal e a Igreja Anglicana do Canadá estariam ausentes no único encontro da ACC antes da próxima Conferência de Lambeth, qual seja, o 13º Encontro do Conselho Consultivo Anglicano.

18. O ACC-13 ocorreu em Nottingham, na Inglaterra, em junho de 2005. Do mesmo modo que nos outros doze encontros do ACC desde 1971, havia uma grande gama de assuntos a serem tratados, que incluíam ações importantes relacionadas ao ecumenismo, à missão e ao evangelismo. Em relação ao Processo Windsor o ACC endorsou e confirmou as ações tomadas pelos primazes em Dromantine. Contudo, o encontro ficou marcado pelo fato de que a Igreja Episcopal e a Igreja Anglicana do Canadá não tinham direito a assento ou voz, embora eles tivessem mandado representantes como observadores e também para se posicionarem em questões específicas levantadas pelo WR (veja parágrafo 21 abaixo).

19. Nos últimos três anos os líderes da Igreja Episcopal, especificamente a Câmara dos Bispos e o Conselho Executivo, têm colocado o Processo Windsor no seu dia a dia e nos seus encontros e têm respondido construtivamente aos acontecimentos domésticos e internacionais que afetam a nossa vida na Comunhão Anglicana. Em março de 2004 a Câmara dos Bispos adotou uma declaração e plano chamado “Cuidando de Todas as Igrejas” como uma resposta à expressa necessidade de cuidado pastoral de congregações que estão em desacordo com o seu bispo. O plano, conhecido como Supervisão Pastoral Episcopal Delegada (DEPO), foi recomendada pelo WR.

20. Após a divulgação do WR em outubro de 2004, no encontro da Câmara dos Bispos em março de 2005 adotou uma “Declaração de Pacto”, o qual oferecia “uma medida provisória para contribuir com um tempo de fortalecimento e para o processo educacional pedido no Relatório Windsor.” Este Pacto reafirmou o compromisso dos bispos ao Quadrilátero Chicago-Lambeth e o seu grande desejo para continuar em comunhão com o arcebispo de Cantuária e com as igrejas da Comunhão Anglicana. Os bispos também expressaram pesar pela dor que outros possam ter passado em decorrência das ações da Convenção Geral de 2003 e ofereceu “arrependimento por haver danificado os nossos laços de afeição” na Comunhão Anglicana. A fim de enfatizar esse compromisso, os bispos concordaram em suspender o consentimento à consagração de qualquer pessoa eleita ao episcopado até a Convenção Geral de 2006, pedir que não seja autorizado nenhum rito público para a benção de uniões do mesmo sexo até a Convenção Geral de 2006 e pedir que não sejam ultrapassadas as fronteiras diocesanas para exercer ministério episcopal sem o convite do bispo da jurisdição.

21. O Conselho Executivo da Igreja Episcopal reuniu-se em sessão extraordinária em abril de 2005 para estudar os pedidos do Encontro dos Primazes, tendo então decidido pela retirada voluntária de seus membros de participar no ACC-13. Embora não presentes oficialmente no ACC-13 em junho de 2005, os membros do ACC da Igreja Episcopal participaram do encontro como visitantes para ouvir os relatórios sobre a vida e o ministério que todos compartilhamos na Comunhão. Além disso, atendendo um pedido do WR e de Dromantine, a Igreja Episcopal, através do Escritório do Bispo Presidente, apresentou ao ACC-13 um trabalho sobre “como uma pessoa vivendo em uma união do mesmo gênero pode ser considerada elegível para liderar um rebanho de Deus;” o essencial desse pensamento foi publicado no documento Para Colocar a Nossa Esperança em Cristo. Está incluída em Para Colocar a Nossa Esperança em Cristo uma pesquisa histórica substancial das decisões da Convenção Geral da Igreja Episcopal que dizem respeito à inclusão de pessoas gays e lésbicas na vida da igreja.

22. Em declarações públicas o Arcebispo de Cantuária, Sua Graça Reverendíssima Robin Eames (Presidente da Comissão Lambeth sobre Comunhão) e o Rt. Rev. John Paterson (Presidente do Conselho Consultivo Anglicano) expressaram apreço pelos esforços e pelas atitudes tomadas pela Câmara dos Bispos e pelo Conselho Executivo para responder ao Processo Windsor. Ao mesmo tempo, estes líderes anglicanos, juntamente com a Câmara dos Bispos e o Conselho Consultivo, reconheceram que a Convenção Geral é a entidade à qual se deve responder oficialmente em nome da Igreja Episcopal e para que sejam feitas recomendações sobre a participação da nossa igreja no Processo Windsor. Fica agora a cargo da 75ª Convenção Geral dar os próximos passos necessários para manter o mais alto grau possível de comunhão.

23. O nosso desejo de comunhão com os anglicanos de todo o mundo está expresso no prefácio do Livro de Oração Comum de 1979, o qual repete o prefácio do Livro de Oração Comum de 1789. Ele declara: “Esta Igreja não tem nenhum desejo de querer afastar-se da Igreja da Inglaterra em nenhum ponto essencial da doutrina, disciplina ou adoração.” O Preâmbulo à Constituição da Igreja Episcopal declara de modo semelhante: “A Igreja Episcopal é um membro constitutivo da Comunhão Anglicana, uma fraternidade dentro da Igreja Única, Sagrada, Católica e Apostólica, de Dioceses, Províncias e Igrejas regionais devidamente constituídas em comunhão com o Mar de Cantuária, sustentando e propagando a Fé e a Ordem históricas como descrito no Livro de Oração Comum. Tem sido a intenção da Comissão Especial trabalhar com afinco para assistir a 75ª Convenção Geral na construção das nossas relações com os outros membros da Comunhão Anglicana – que estejamos comprometidos com a integridade da nossa vida em comum e evitemos capitular à tentação de irmos sozinhos, seja como paróquias, dioceses ou províncias.

 

III.             Interdependência: Unidade e Missão

 

24. No boletim de Dromantine os primazes aceitaram “a descrição oferecida nas Seções A e B do Relatório Windsor como o modo que nós gostaríamos de ver a vida se desenvolver na Comunhão Anglicana, respondendo a Cristo em fiel discipulado.” Os primazes então pediram formalmente a “todas as províncias” – e particularmente à Igreja Episcopal e à Igreja Anglicana do Canadá – “para considerar se elas querem estar comprometidas à vida interdependente da Comunhão Anglicana entendida nos termos existentes nessas seções” do WR.

25. A boa vontade da Comissão Especial, e mais do que isso, o nosso grande desejo de estarmos compromissados à vida interdependente da Comunhão Anglicana estão declarados claramente na primeira resolução, após este relatório. Para demonstrar que nós não entramos nesse compromisso leviana ou inadvertidamente, nós desejamos refletir aqui sobre o quê prometemos lá. O que significaria para a Igreja Episcopal aceitar a visão do WR de vida interdependente? Numa sentença, significa reconhecer e afirmar que a unidade da Igreja e a missão de Deus são indissolúveis, de modo que é impossível fazer o trabalho prático da vida em comunhão, atendendo ao mundo, se em primeiro lugar e de modo permanente nós não nos amarmos uns aos outros. Aceitação também implica em aceitar que a comunhão é “o limite fundamental da autonomia”, porque é um “dom” que exige de nós e resulta em uma série de obrigações ou “expectativas”, formando a nossa vocação comum e divina. Estes dois grandes movimentos na vida de comunhão em Cristo – como um dom e como uma expectativa – estão entrelaçados e não podem ser desembaraçados sem que haja conseqüências para a viabilidade da comunhão.

26. A missão da Igreja é uma expressão da sua vida em Deus. Como está colocado no WR: “A unidade da igreja, a comunhão de todos os seus membros uns com os outros,....e a santidade radical para a qual todo o povo de Cristo é chamado estão....enraizados nos propósitos e na vida trinitária do Deus uno. Elas são planejadas não para si próprias....mas para servir e significar a missão de Deus no mundo. Além disso, a comunhão da Igreja “subsiste em unidade visível, confissão comum na fé apostólica, crença comum na escritura e nos credos, mesmo batismo e eucaristia compartilhada e um mesmo ministério mutuamente reconhecido.” Destarte, a comunhão envolve tanto “as obrigações como os direitos correspondentes, os quais fluem das verdades teológicas sobre as quais repousa a vida da comunidade Cristã.”

27. Por outro lado, a vida interdependente é, ao mesmo tempo, o fruto (“dom”) e o trabalho (“expectativa”) da comunhão, do mesmo modo que a Igreja de Cristo é um “corpo orgânico” cujos membros dependem uns dos outros. No contesto da Comunhão Anglicana isso significa que cada igreja é obrigada “a promover, respeitar e manter todos esses pontos de identidade comum e todos esses instrumentos de unidade e comunhão, que ela compartilha com as igrejas irmãs, buscando um pensamento comum em assuntos essenciais de interesse comum: em resumo, agir interdependentemente, não independentemente. Por exemplo, “a fundação divina da comunhão deveria obrigar cada igreja a evitar ações unilaterais ou assuntos contenciosos, os quais podem levar à quebra da comunhão;” importante porque quando a comunhão é quebrada ou “obscurecida....a efetividade da nossa missão comum fica severamente prejudicada.” Na seção V deste relatório nós enfocaremos as recomendações específicas do WR a respeito de ações tomadas pela Convenção Geral e por determinados bispos da Igreja Episcopal em tensão com a Resolução I.10 da Conferência de Lambeth de 1998.

28. Deve-se atentar a que os três Instrumentos de Comunhão, mais o Arcebispo de Cantuária, “não são um substituto da responsabilidade mútua do resto da Igreja mas....sim um meio de expressá-la e concentrá-la, permitindo desse modo que a Igreja como um todo escute cada um dos seus membros e que cada membro escute o conjunto.” Neste ponto, nós podemos falar em “unidade na diversidade” – com confiança de que toda autoridade não será “dispersa ao ponto de dissolução e ineficácia, como havia colocado o antigo Arcebispo de Cantuária Robert Runcie. Enfim, o que a Comunhão precisa são “sistemas de tomadas de decisão, apropriadamente sensíveis e bem sintonizadas, que permitam a participação plena de todos os membros e um modo de tomar decisões difíceis, as quais, ao invés de diminuir, podem aumentar a unidade da comunhão da nossa família, tão ricamente diversificada.” O compromisso formal da Comunhão a um processo de escuta se encaixa naturalmente nesse quadro de responsabilidade mútua, pensando-se no fortalecimento da unidade-na-diversidade interanglicana.

29. Chamamos aqui a atenção às recomendações do WR a respeito do função específica de liderança exercida pelo Arcebispo de Cantuária. Nós acolhemos com prazer a descrição do WR do arcebispado de Cantuária “como o foco central da unidade e da missão.” Também apreciamos o cuidado dos primazes a respeito de “qualquer fato que possa parecer vir a implicar a criação de uma jurisdição internacional que poderia suprimir a nossa autonomia provincial,” o qual é um sentimento já expresso repetidas vezes pelo atual arcebispo.  Parece então que ainda irá demorar algum tempo para que se forme um entendimento comum da função do Arcebispo de Cantuária; nós aguardamos ansiosamente o processo de discernimento nesse assunto, inclusive as suas implicações ecumênicas. Do mesmo modo, a respeito da resolução do ACC-13 de que os primazes sejam membros adicionais ex officio do Conselho Consultivo Anglicano, nós aconselhamos submeter essa matéria a maiores estudos e discussões na Comunhão e a considerar uma resolução sobre o assunto para a Convenção Geral de 2009. Contudo, nós não acreditamos que um movimento na direção de incluir os primazes como membros ex officio do ACC ajudaria a promover a intenção da resolução do ACC-13, unanimemente adotada, conclamando pela paridade da representação entre homens e mulheres nos Instrumentos de Comunhão e em todos os corpos governantes da Comunhão.

30. Em uma declaração resumo útil o WR sugere:

A Comunhão Anglicana é destarte unida de várias maneiras: a escritura como fator constante, o episcopado histórico, os Instrumentos da Unidade e a vida sinodal da Igreja como instrumentos para viver juntos sob a escritura, com discernimento e com recepção quanto aos modos com os quais as Comunhão opera em relação a propostas novas e a emergência de diferenças.

31. Estamos entusiasmados com os “laços de afeição”, muito propriamente lembrados pelo WR, como um modo de expressar a nossa relação pactual com Deus e uns com os outros na Comunhão Anglicana. Nós acreditamos que esses laços carregam uma promessa também para os nossos parceiros ecumênicos, com os quais nós compartilhamos “a ligação indissolúvel”da missão Cristã. Sem dúvida, a conexão entre unidade e missão é intrínseca para o WR e nos convida a um entendimento profícuo da responsabilidade ecumênica. Para este fim, nós acolhemos com boa vontade o interesse na coerência da teologia e dos ensinamentos anglicanos levantados repetidas vezes nas respostas ecumênicas ao WR, ponto central para o trabalho da Comissão Permanente Interanglicana de Relações Ecumênicas (IASCER) e da Comissão Teológica e Doutrinal Interanglicana (IATDC). Da mesma maneira, nós apreciamos o compromisso da Comissão Permanente Interanglicana sobre Missão e Evangelismo (IASCOME) à missão e à unidade da Igreja.

32. Nas seções A e B o WR procura justificar o que nós compartilhamos atualmente e o que nós esperamos que cresça a mais do que é agora. A apresentação parece ser muito idealizada, como quiseram os primazes; foi o resultado de tentar descrever a nossa vida atual junto com as nossas esperanças para o futuro. Sob esta luz, nós enxergamos as seções A e B do WR como uma repetição e um refinamento muito bem vindos da promessa de uma geração precedente, a qual foi articulada no terceiro Congresso Anglicano em 1963 e adotada na Conferência de Lambeth em 1968, em vários encontros do Conselho Consultivo Anglicano, e pelo Grupo de Aconselhamento sobre Assuntos de Missão e Estratégias (MISAG) em 1993 – a promessa de “responsabilidade e de interdependência mútuas no Corpo de Cristo.” Por algum tempo, a Comunhão tem se movido na direção de uma articulação e encarnação desejáveis dos nossos laços de afeição, a despeito de “nossas muitas falhas.” Portanto, nós só podemos dizer “amém” para essa renovada oportunidade, apresentada pelo WR, de viver mais plenamente na mutualidade e na responsabilidade da comunhão em Cristo, comunhão esta que foi nossa herança e será nosso legado. Afinal, o nosso Senhor nos enviou “para ceifar o que não semeastes; outros trabalharam e vós entrastes no seu trabalho” (João 4:38). A catolicidade e o apostolado da Igreja são expressos de modo coerente no trabalho prático da adoração, missão e evangelismo; de modo semelhante, as marcas de unidade e de santidade também são vivenciadas e sofridas; que o mundo possa crer e que nós possamos ser salvos (João 17:21 e Atos 2:37).

 

IV.            Da Expressão de Remorso e Arrependimento

 

33. Os laços de afeição que são o início da nossa vivência na Comunhão Anglicana expressam também o compromisso ao companheirismo ou koinonia. Mais ainda, eles não são um fim em si mesmos mas provêm as fundações da missão. Portanto, koinonia e missão são elementos constitutivos da identidade da Igreja como uma comunidade de amor e de justiça. O WR dirige sua atenção aos detalhes de várias ocasiões nas quais esses laços de afeição foram afetados. Tocando nesse assunto, o WR pediu à Igreja Episcopal ou aos seus bispos para expressarem pesar por terem “prejudicado as restrições inerentes aos laços de afeição.”

34. A sentença introdutória do WR 134 fornece o contexto no qual se deve expressar o pesar: “Conscientes do dano e da ofensa que resultaram de acontecimentos recentes e também dos imperativos da comunhão – o arrependimento, o perdão e a reconciliação imposta sobre nós por Cristo – nós debatemos longamente sobre como todos os lados podem se unir novamente. O arrependimento é um dos vários elementos do processo de passar do dano e da ofensa à koinonia renovada. O WR propõe dois sinais do desejo de permanecer parte da fraternidade, que mostrariam evidência concreta de arrependimento. Esses sinais são: (i) uma declaração de arrependimento por prejudicar os laços de afeição e (ii) uma moratória em algumas ações em particular.

35. Declarações de pesar foram feitas pela Câmara dos Bispos e pelo Conselho Executivo. Tem havido muita discussão sobre se essas declarações de pesar estão adequadas como respostas às recomendações do WR e se uma moratória, por um tempo definido, pode ser posta em prática nas estruturas sinodicais de determinadas igrejas da Comunhão Anglicana de modo a satisfazer os líderes na Comunhão como um todo.

36. O Arcebispo de Cantuária declarou em sua Carta Pastoral do Advento para os primazes em 2004 que “um dos maiores desafios do WR se refere ao arrependimento.” As suas palavras sugerem que ele interpretou o convite ao arrependimento do WR à luz de questões maiores sobre arrependimento. Ele fez um aviso:

se é verdade que uma ação feita por uma parte da Comunhão realmente ofende, faz outros cambalearem, então precisamos perguntar “Como foi que o que nós fizemos ficou no caminho de Deus se fazendo ouvir e ser visto entre nós?....Fomos nós apressados em dispensar as pessoas antes de te-las escutado?” É obrigação nossa, de uns para com os outros, de compreender e absorver lentamente essas questões. Essas são as questões importantes para a nossa saúde espiritual, mais do que ficar discutindo os termos ou palavras mais adequadas de desculpa.

37. O Comitê de Teologia da Câmara dos Bispos em seu documento “O Dom da Sexualidade” de março de 2003 de modo semelhante também havia afirmado a necessidade de deixar essas questões serem lentamente absorvidas e compreendidas – sugerindo que “será crucial para todos os lados deste debate pedirem a bênção de Deus para a sua conversão em Cristo que sempre se aprofunda e orar pelo amor e perdão de Deus para todos.”

38. Declarações de pesar parecem ser sinais imediatos do desejo de permanecer em comunhão, enquanto que expressões de arrependimento parecem ser um processo coletivo dentro de toda a Comunhão que sinaliza um compromisso, pelas igrejas e pelas pessoas, que envolve retificação de suas vidas (Romanos 2:4). Nós achamos que o WR foi sábio em expressar o seu pedido imediato em termos de declaração de pesar e de usar especificamente o instrumento da moratória (se funcional) como um meio de abrir um espaço no qual possa ser restabelecido o desenvolvimento de uma comunidade de arrependimento, ou talvez, iniciada pela primeira vez. Nós também cremos que a consideração dessas expressões de pesar e arrependimento da Convenção Geral irá mostrar claramente o nosso desejo de reafirmar os laços de afeição que nos unem no companheirismo da Comunhão Anglicana.

39. Uma crítica à arrogância geral da dominância ocidental na vida da Comunhão também tem tomado parte nas conversas pós-WR e o arrependimento dessa arrogância tornou-se um fator na procura de seguir adiante. Essa crítica está sugerida no WR quando os escritores sugerem que as “principais divisões culturais do mundo de hoje, principalmente entre as nações ricas da Europa ocidental e a América do Norte e as nações mais pobres em outras partes do mundo, deixaram a sua feia marca na nossa vida eclesiástica.”

40. As ações da Convenção Geral de 2003 foram vistas por alguns críticos como um paralelo eclesiástico da arrogância desenfreada do imperialismo ocidental, ações que sinalizaram com menosprezo que nós “não precisamos de você” (1 Coríntios 12:21). Nós não iremos julgar a precisão destas interpretações mas notamos com certeza a natureza potencialmente útil de um chamado ao arrependimento que se desenvolve nas igrejas ocidentais em relação à arrogância de nossas relações com as igrejas mais jovens da Comunhão. Colocar nossa esperança em Cristo falou a este discernimento colocando: “nós temos consciência que a humildade é especialmente necessária para nós que falamos a partir de um contexto ocidental. Por séculos nós sempre estivemos mais prontos para falar do que para escutar, sendo o modo desse falar definido basicamente por pessoas brancas, européias e norte-americanas.

41. As ações da 74ª Convenção Geral também contribuíram com a dor dentro da Igreja Episcopal e muito trabalho tem sido feito para preservar e assegurar a integridade teológica, espiritual e pastoral de pessoas e congregações que discordavam daquelas decisões. O Supervisão Pastoral Episcopal Delegada (DEPO) vai ao encontro desse trabalho e o WR recomenda o DEPO como uma tentativa de restaurar e recuperar nossas forças internas.

42. Vários documentos publicados após o WR também chamaram a nossa atenção para os variados desafios que a Igreja enfrenta no mundo – em particular as contínuas crises de pobreza, saúde e guerra e os esforços continuados para alcançar as Metas de Desenvolvimento do Milênio. Esses assuntos sinalizam um maior chamado ao arrependimento e a um retorno aos imperativos da missão que foram levianamente postos de lado para se ocupar de assuntos eclesiais do momento.

43. Como deve então a Convenção Geral expressar pesar e arrependimento? O que conta para uma resposta adequada aos pedidos do WR? Várias declarações de pesar foram feitas, tanto por entidades nacionais da igreja como por dioceses. Foi expresso pesar pelo fato da consagração do bispo de New Hampshire ter sido feita “fora de seqüência”, visto ainda não estar resolvida a questão da bênção de uniões do mesmo sexo. A moratória foi posta em efeito, sendo entendidas como expressões de arrependimento por decisões feitas sem tempo para consultas. Foi feita uma tentativa de ligar arrependimento à arrogância do Ocidente.

44. Ainda resta à Comissão Geral determinar se e como tornar a moratória efetiva como uma expressão continuada do desejo de viver na visão de comunhão que nós compartilhamos descrita no WR.

 

V.               Convite a uma Comunhão Mais Profunda

 

45. Foi pedido à Igreja Episcopal que respondesse a várias solicitações de expressão de pesar por termos danificado os laços de afeição entre membros da Comunhão Anglicana. Nós estamos muito conscientes desses laços de afeição porque os consideramos como sendo os ligamentos vivos que mantém juntas as partes da Comunhão Anglicana e queremos atender a essas solicitações pelo nosso forte desejo de alimentar e fortalecer esses laços. A princípio, nós aceitamos a proposição de que “o que toca a todos deve ser decidido por todos.” Ao mesmo tempo, nós estamos conscientes de que no momento, os meios de se chegar a essas decisões na Comunhão Anglicana são vistos por muitos como sendo pouco satisfatórios. Como reconhece a tradição cristã, discernir o pensamento de Cristo não é simplesmente uma questão de um processo político; o apelo para que haja  consenso tem sido muitas vezes confundido, tanto na Igreja Episcopal como nos corpos deliberativos anglicanos, com a realidade do voto majoritário. De alguma maneira nós precisamos crescer, enquanto Comunhão, sujeita a uma sabedoria divina nascida da humildade e da santidade, alimentada pela oração em comum e pela escritura. O fortalecimento do Corpo exigirá trabalhar muito para continuar a desenvolver modos para achar um pensamento comum e ao mesmo tempo respeitar a discordância.

46. Existem cinco pedidos específicos do WR, de Dromantine e do ACC-13 que nós nos empenhamos em responder: por uma moratória em eleições ao episcopado para aqueles que vivem em uniões do mesmo gênero; por uma moratória para os ritos públicos de bênção para uniões do mesmo gênero; por uma moratória para cruzar fronteiras episcopais; para aumento de atenção e para promulgação efetiva das Metas de Desenvolvimento do Milênio; e para continuar e aprofundar os níveis de conversação e diálogo na busca de fortalecer a comunhão entre os membros da Comunhão Anglicana. Todos estes pedidos foram feitos no contexto das tensões que afetam os laços de afeição e da necessidade de encorajar maior responsabilidade e interdependência mútuas através da Comunhão; nós os recebemos com o espírito de resolver essas tensões.

 

Sobre Eleições ao Episcopado

 

47. O pedido por uma moratória para eleição e consentimento ao episcopado daqueles que vivem em uniões do mesmo gênero é visto como uma preocupação quanto à sua aceitação como bispos por toda a Comunhão. Do mesmo modo que o WR, nós notamos que existem hoje em dia vários entendimentos dentro da Comunhão acerca das qualificações e dons necessários para alguém que é apontado ou eleito bispo, entre os quais estão o estado marital, gênero, uso de álcool, orientação política e/ou teológica e atitudes para com a manutenção da comunhão. A deliberação sobre esses critérios tem variado ao longo do tempo, sendo as vezes certas posições consideradas não aceitáveis. Atualmente a Comunhão está lutando com o assunto da atividade sexual entre pessoas do mesmo gênero e suas implicações quanto a sua adequação à ordenação e ao ofício episcopal.

48. Nós notamos que este pedido foi colocado em termos de moratória e também, que essa linguagem implica em um tempo de espera para que se possa ganhar tempo para outra atividade, como orar ou estudar. Nós cremos que as moratórias só são úteis ou efetivas se esta outra atividade chega a levar a um outro nível de consenso, seja um consenso renovado, um consenso sobre um outro ponto ou mesmo de que atualmente não dá para se chegar a um consenso. Nós vemos com gratidão respostas de várias entidades da Comunhão Anglicana ao WR expressando compromisso com a diversidade e a inclusividade em relação às conversações atuais sobre a sexualidade humana. Estas declarações incluem as feitas por bispos da América Latina, Caribe, Japão e Escócia.

49. Estamos cônscios e acolhemos o convite à cautela para a consideração de eleições e consentimentos ao episcopado e afirmamos, do mesmo modo que o WR o faz, que “um bispo é mais do que simplesmente o pastor principal da igreja local,” que os bispos “são consagrados em um ordem de ministério na Igreja de Deus mundial” e que os bispos “representam o universal para o local e o local para o universal. A sua aceitabilidade para a Igreja como um todo é feita significativa através da ‘confirmação da eleição’ feita pelo bispo metropolitano em consulta com os outros bispos da província. Nas organizações anglicanas modernas, esta confirmação está prevista nas constituições das províncias de diversos modos.”

50. Nós notamos aqui que o processo de seleção na Igreja Episcopal é um pouco diferente de algumas outras províncias da Comunhão, sendo que os nossos bispos não são indicados mas sim eleitos e que na sua eleição participam os votos dos delegados laicos e clericais da diocese em eleição. O consentimento de sua eleição (a “Confirmação” do WR) é dado pelos bispos com jurisdição (bispos diocesanos) e, ou os Comitês Permanentes das dioceses da Igreja Episcopal ou a Câmara dos Representantes da Convenção Geral (agindo no lugar de Comitês Permanentes quando as eleições ocorrem em um tempo próximo à Convenção Geral).

51. Nós reconhecemos e lamentamos que, por ação ou inação, tenhamos contribuído para aumentar as tensões na comunhão e que tenhamos “causado grande ofensa a muitos Cristãos anglicanos fiéis” por termos consentido a consagração de um bispo vivendo abertamente em uma união de mesmo gênero. Na mesma linha, nós exortamos aos comitês de nomeação, convenções eleitorais, Comitês Permanentes e bispos com jurisdição a tomarem muito cuidado com a nomeação, eleição, consentimento e consagração de bispos cujo modo de viver possa constituir um desafio à igreja como um todo e a aumentar as tensões na comunhão  enquanto não surgir um consenso mais amplo na Comunhão Anglicana.

52. Nós percebemos dois desafios quanto à determinação de consenso. Como se irá determinar o surgimento de um novo consenso? E quem fará essa determinação? Devemos notar que, nos últimos três anos, apareceram várias declarações de não-desacordo e/ou de apoio às ações da 74ª Convenção Geral vindas de outros membros da Comunhão. Não existe consenso pleno às ações da Igreja Episcopal em relação à sexualidade humana, mas também não existe um desacordo pleno em relação a essas ações entre as igrejas membros da Comunhão Anglicana. Na Comunhão Anglicana existe nitidamente uma ampla gama de opiniões no que diz respeito à sexualidade humana e à sua importância no ofício episcopal. Nós exortamos às entidades pertinentes da Igreja Episcopal a fazer consultas com os nossos parceiros de comunhão, imbuídos de espírito de generosidade e receptividade, quando possa haver um potencial desacordo com as nossas ações legislativas e eclesiais.

 

Sobre Ritos Públicos de Bênção de Uniões do Mesmo Sexo

 

53. Nós desejamos reiterar o que aconteceu e o que não aconteceu na Convenção Geral de 2003 e lamentar o mal entendimento que surgiu pela nossa adoção da Resolução 2003-C051. No esforço de reconhecer que “comunidades de fé locais estão agindo dentro dos limites da nossa vida comum ao explorar e vivenciar liturgias que celebram e abençoam uniões do mesmo sexo”, nós negamos expressamente que esses ritos foram autorizados. A nossa organização define como ritos autorizados aqueles encontrados no Livro de Oração Comum (1979), o Livro de Serviços Ocasionais (2003) e Enriquecendo a Nossa Adoração 1 e 2 (1997, 2000). A Igreja Episcopal não autorizou outros ritos. Contudo, nós permanecemos sempre compromissados a manter “uma largueza de resposta particular para situações de cuidado pastoral individual.”

54. O WR expressa a “convicção de que continuar unilateralmente a autorizar Ritos de Bênção públicos para uniões do mesmo sexo atualmente vai contra as opiniões formalmente expressas pelos Instrumentos de Unidade.” Para o bem da nossa vida comum nós nos juntamos à exortação do WR: “nós pedimos para todos os bispos da Comunhão Anglicana para honrar a Carta Pastoral dos Primazes de maio de 2003, não fazendo autorizar Ritos de Bênção públicos para uniões do mesmo sexo”, novamente, “até que surja novo consenso na Comunhão Anglicana.” Nós aconselhamos aqueles bispos que autorizaram estes ritos diocesanos públicos a, “por causa das repercussões sérias na Comunhão,” atentar ao convite “de expressar pesar pelo fato da união dos laços de afeição foi prejudicada por essa autorização.” Mais ainda, nós nos aliamos ao pedido urgente do WR para que “todas as províncias ....sejam ativas no apoio ao chamado da Resolução Lambeth 64 (1988) para elas “reafirmarem, à luz de ....estudo e pela nossa preocupação pelos direitos humanos, o seu cuidado e a sua atitude em relação a pessoas de orientação homossexual.”

55. De novo nós notamos os desafios envolvidos na avaliação do aparecimento de um novo consenso, dada a grande variedade atual das respostas pastorais em igrejas por toda a Comunhão. Nós também percebemos o grande número de opiniões diferentes expressas publicamente a respeito desses assuntos de várias igrejas membros da Comunhão Anglicana.

 

Sobre o Cuidar de Grupos que Discordam

 

56. O pedido por uma moratória sobre cruzar os limites diocesanos pelos bispos da Comunhão Anglicana é entendido como respeito e preocupação pelo costume antigo, levando em conta a necessidade real de cuidados pastorais por grupos que possam discordar do seu bispo diocesano. Nós afirmamos a necessidade de cuidado pastoral sensível para todos os membros dessa igreja, do mesmo modo que para aqueles que possam estar fora dela, e nós recomendamos o entendimento bíblico de “suportando as cargas uns dos outros” em Cristo (Gálatas 6:2) como sendo um imperativo dos evangelhos. Nós acreditamos que todas as partes devem fazer um grande esforço para resguardar a dignidade daqueles que não representam a maioria, seja em opinião ou em número.

57. O WR pede aos bispos que crêem ser necessário fornecer esse cuidado pastoral a grupos fora das suas dioceses próprias para que parem de cruzar as fronteiras diocesanas, a não ser que uma permissão eclesiástica clara seja recebida do bispo daquela diocese e para que procurem acomodação com os bispos daquelas dioceses que cruzaram ou que desejam cruzar. Nós damos as boas vindas e apoiamos esses pedidos e notamos com tristeza que tem havido erros de ambos os lados.

58. Nós continuamos a exortar os bispos da Igreja Episcopal para que trabalhem para tornar efetivas as previsões do “Cuidando de Todas as Igrejas” (principalmente em relação à Supervisão Pastoral Episcopal Delegada). Nós percebemos a existência de congregações que sentem a necessidade de sensibilidade e cuidado pastorais maiores da parte de seus próprios bispos. Essas congregações pediram ou não pelas respostas indicadas em “Cuidando de Todas as Igrejas” mas estão precisando de ministrações sensíveis e respeitosas do escritório do seu bispo. Nós encorajamos os bispos da Igreja Episcopal para procurar cuidadosamente por aqueles alienados dentro de suas dioceses e responder a eles de modo apropriado. Nós percebemos, além disso, que um diálogo maior,  compromisso e sensibilidade para com todas as nossas irmãs e nossos irmãos pela Comunhão e na nossa própria igreja pode servir como um sinal visível do nosso desejo fundamental por um grau maior de comunhão.

59. Os bispos da Igreja Episcopal solicitaram para segurar cada um responsável por intervenções em outras dioceses e pedir a todos os leigos, diáconos, sacerdotes e bispos a evitar ações pastorais fora de sua própria diocese, a não ser quando convidados pelo próprio bispo diocesano. Nós apoiamos a perspectiva do WR de ser indesejável a existência de jurisdições paralelas.

 

Metas de Desenvolvimento do Milênio

 

60. Nós reconhecemos e afirmamos que o chamado ao arrependimento é uma exortação global e nós tomamos consciência e nos arrependemos da nossa incapacidade de atender plenamente ao sofrimento de nossos irmãos e irmãs pelo mundo. Continuamos a exortar a cada episcopal (e outros cristãos), paróquias, dioceses e províncias da Comunhão Anglicana, bem como às nossas entidades governamentais, para que se comprometam com a realização das Metas de Desenvolvimento do Milênio para o ano de 2015. Continuamos a conclamar aos nossos membros a vincular recursos financeiros, pelo menos ao nível de 0,7% da receita anual, para o desenvolvimento internacional e para que advoguem para a realização dessas metas junto aos nossos líderes nos governos.

61. Nós percebemos com gratidão a crescente participação de paróquias e dioceses da Igreja Episcopal nessa realização do reino de Deus. Nós notamos que a expressão pragmática de laços e ligamentos unindo as diferentes partes da Comunhão Anglicana é geralmente mais efetiva e gratificante quando as dioceses, as paróquias e os indivíduos se concentram nas necessidades do mundo, e não nas diferenças entre eles próprios, para: erradicar a pobreza e alimentar os famintos, educar as crianças, fortalecer as mulheres, reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combater o HIV/SIDA e outras doenças, trabalhar para a sustentabilidade da criação e para encontrar modos de continuar o trabalho de desenvolvimento. No e através do trabalho missional, a comunhão é aprofundada e crescentemente tornada real, sendo Deus glorificado em abundância.

 

O Processo Windsor e Uma Busca Contínua Para Uma Comunhão Mais Profunda

 

62. Nós reconhecemos o WR como sendo um passo importante na vontade de levar a níveis mais profundos de comunhão através do globo, embora não seja nem o primeiro nem o último passo nesse processo. Nós afirmamos que os laços de afeição, que foram muito tencionados nos últimos tempos, necessitam cuidados e atenção e nós nos comprometemos com o diálogo, a escuta e um crescimento constantes no sentido da plena estatura de Cristo. O Pacto Batismal guia a nossa escuta, na medida que procuramos reconhecer e respeitar a dignidade de todos os seres humanos e trabalhar para a reconciliação, a justiça e a paz entre todas as pessoas.

63. Nós vemos o trabalho publicado “Colocar a Nossa Esperança em Cristo” como um outro passo no processo de escutar e de dialogar e o recomendamos aos membros da Convenção Geral, especialmente no contexto da necessidade de escuta e diálogo contínuos com os cristãos gays e lésbicas, recomendação esta feita em repetidas declarações das Conferências de Lambeth em 1978, 1988 e 1998. A Comissão Especial considera útil o Apêndice “O Desenvolvimento Histórico de Crenças e Políticas a Respeito da Sexualidade na Igreja Episcopal nos Estados Unidos”, apêndice este do Colocar a Nossa Esperança em Cristo, como um histórico da história da inclusão das pessoas gays e lésbicas na vida da Igreja Episcopal. Nós recomendamos essa história de quarenta anos ao Processo Windsor como uma exposição da organização e da experiência da Igreja Episcopal.

64. Nós apreciamos as recentes ações da Comunhão Anglicana no planejamento e financiamento de um processo importante de escuta e diálogo, como solicitado pela Resolução I.10 Lambeth de 1998, e reiterado no WR 146. Nós apoiamos o recente estabelecimento de uma seção no Escritório da Comunhão Anglicana para tratar do “Processo de Escuta” na Comunhão e a nomeação do Rev. Canon Philip Groves como facilitador. Reafirmamos o nosso compromisso a esse processo continuado de esperança de interdependência crescente e laços de afeição fortalecidos.

65. Nós adotamos outros esforços na Comunhão que possam contribuir com esse processo de aprofundar a comunhão e notamos com prazer a recente Consulta Sobre a Condição da Mulher das Nações Unidas, da qual participaram mulheres de trinta e sete das trinta e oito províncias da Comunhão Anglicana na condição de delegadas do Conselho Consultivo Anglicano. Nós acolhemos o sentimento da delegação das mulheres anglicanas e oramos para que ele seja o reflexo da experiência de todos os membros desta Comunhão: “O tempo que passamos juntos....provou que as coisas que nos unem na Comunhão são maiores e mais fortes do que aquelas que nos separam.”

66. Finalmente, consideramos útil a contribuição de um grupo diversificado de bispos da Igreja Episcopal trabalharam juntos, respeitando uns aos outros como irmãs e irmãos cristãos, apesar das divergências. Eles notaram que a Igreja Episcopal e os bispos da Comunhão Anglicana reconhecem e encorajam a diversidade de opiniões teológicas dentro da Igreja Cristã, sujeitas aos largos limites definidos pelo Quadrilátero Chicago-Lambeth, o qual tem sido o princípio definidor nas relações ecumênicas desta igreja desde 1886. A generosidade de espírito do Quadrilátero cultivou a missão cooperativa no serviço de Cristo em casa e ao redor do mundo. Para o bem desta missão, a nossa generosidade para com aqueles dentro da nossa tradição deve ser pelo menos tão grande quanto aquela para com outras tradições.

 

VI.            Pacto

 

67. O WR propôs a idéia de que um “Pacto Anglicano” poderia ajudar a alcançar uma responsabilidade e uma interdependência mútuas dentro da Comunhão Anglicana. O desenvolvimento de um Pacto Anglicano foi matéria de discussão em Dromantine e no ACC dentro da Comissão Permanente Interanglicana sobre Missão e Evangelismo (IASCOME). É bastante claro que muitos anglicanos por todo o mundo estão lutando com as implicações de se desenvolver um pacto como esse.

68. Desde os tempos antigos os pactos têm sido profissões públicas de promessas que mostram a ligação de pessoas para o bem de algo maior do que simplesmente os interesses de cada uma das partes. Os pactos são a manifestação expressa, de livre e espontânea vontade, de um grupo ou de uma pessoa, de se comprometerem a manter relações com outro grupo ou pessoa. Como tal, os pactos se dirigem no sentido da, e ajudam a efetivar, responsabilidade mútua e interdependência a serviço de um bem maior.

69. Os pactos tem estado no centro dos propósitos de Deus no mundo que continuamente se desdobram. O pacto de Deus com Israel e o novo pacto em Jesus são meios pelos quais os propósitos de Deus e a missão de Deus de reconciliação e de restauração de relacionamentos corretos são tornados reais ao mundo. O pacto que Deus iniciou com Abraão e que manifestou na Lei e nos profetas apontava na direção de um novo ordenamento de relacionamento entre Deus e o povo de Deus. Como cristãos, nós afirmamos que, por causa de seu permanente amor pelo mundo e seu desejo de estar unido com toda a humanidade, Deus encarnou em Jesus, o Cristo. Deus cria um novo pacto em Cristo, pelo qual todo o mundo pode se unir ao Criador. O novo pacto é marcado pelo partir do seu Corpo e o derramamento do seu sangue – celebrados na refeição cristã central da Eucaristia e tornada efetiva através da ressurreição de Cristo, para todas as pessoas para todos os tempos. A missão de Jesus,  Deus criador em forma humana, tem o mesmo padrão da missão de Deus. Portanto, o pacto de Deus com Israel e em Cristo nos chama para uma vida interdependente e mutuamente responsável dentro da missão de Deus.

70. Dentro da Igreja Episcopal o Pacto Batismal presente no Livro de Oração Comum  de 1979 ajudou a enquadrar a nossa vida em comum a serviço da missão de Deus por quase três décadas. O Pacto Batismal afirma a base do credo da nossa fé e a partir daí nos chama para uma relação nova com Deus e para conosco, na medida em que nós prometemos viver vidas de adoração, proclamação, serviço e prática da justiça. As nossas promessas no Pacto Batismal nos carregam mais fundo para uma vida interdependente e mutuamente responsável quando procuramos “restaurar todas as pessoas na unidade com Deus e cada um em Cristo.”

71. Na história recente da Igreja Episcopal os pactos tem sido úteis para ajudar a tornar mais claras a natureza das relações a serviço da missão de Deus, tanto nas relações interanglicanas como em sentido ecumênico. Os pactos com províncias da Comunhão Anglicana recentemente autônomas, que antes eram dioceses missionárias da Igreja Episcopal (Libéria, Filipinas, México, América Central e uma nova proposta para o Brasil), detalham a natureza da responsabilidade mútua e da interdependência no Corpo de Cristo. A “Declaração de Pacto” de março de 2005 da Câmara dos Bispos ofereceu uma resposta inicial ao WR e enfatizou o desejo dos bispos da Igreja Episcopal de permanecer em relação com as irmãs e irmãos de toda a Comunhão Anglicana. De um modo ecumênico, o pacto “Chamados à Missão Comum” entre a Igreja Episcopal e a Igreja Luterana Evangélica na América, que foi adotado na Convenção Geral em 2000, estabeleceu comunhão plena entre as nossas igrejas, levando todos ao serviço comum à missão de Deus como episcopais e como luteranos. É nesse espírito de “pactos para a missão” que nós acolhemos a recomendação do WR para o desenvolvimento de um possível pacto anglicano.

72. A Comissão Especial notou que cada apresentação de um Pacto Anglicano nas diferentes entidades anglicanas tem uma ênfase diferente. A argumentação do WR acentua um enfoque canônico e estrutural ao pacto, enquanto que Dromantine enfatiza mais o lado doutrinário ou confessional. A afirmação do ACC-13 de um “Pacto para Comunhão em Missão” tem uma orientação missionária e relacional. A Comissão Especial acredita que as três perspectivas têm algo a oferecer ao processo de desenvolvimento do Pacto Anglicano.

73. A proposta do WR de um Pacto Anglicano está vinculada à idéia de lei canônica na Comunhão Anglicana e recomenda que cada igreja da Comunhão desenvolva uma “lei de comunhão” pequena que “possa autorizar o seu primaz (ou o equivalente) a assinar o pacto em nome daquela igreja e compromissar a igreja a aderir aos termos do pacto. O WR não recomenda um Pacto Anglicano específico mas oferece um exemplo possível.

74. Dromantine vê a idéia de um Pacto Anglicano como articulando uma compreensão mais doutrinária ou confessional da autoridade e da identidade anglicanas. Dromantine nota que o “Quadrilátero Chicago-Lambeth já vem operando de modo efetivo como um tipo de pacto, o qual fixa o nosso compromisso à Escritura, ao Credo Niceno, aos dois Sacramentos dos Evangelhos e ao Episcopado Histórico.

75. Finalmente, a Comissão Permanente Interanglicana sobre Missão e Evangelismo (IASCOME), uma das quatro comissões permanentes da Comunhão Anglicana, ofereceu a sua própria interpretação para as possibilidades de um Pacto Anglicano. O “Pacto para Comunhão em Missão” proposto pela IASCOME acentua uma compreensão missionária e relacional de pacto, baseada em “nosso chamado comum para partilhar a missão fortalecedora e reconciliadora de Deus para com o nosso mundo,  abençoado mas partido e sofrido. O “Pacto para Comunhão em Missão” da IASCOME foi recomendado às igrejas da Comunhão Anglicana, para seu estudo e aplicação como uma visão da fidelidade anglicana à missão de Deus e encaminhado às entidades apropriadas da Comunhão Anglicana com o objetivo de se considerar um Pacto Anglicano. O Conselho Executivo da Igreja Episcopal em janeiro de 2006 seguiu a orientação do ACC ao solicitar para estudo e para aplicação do “Pacto para Comunhão em Missão” e o recomendou em uma resolução proposta à 75ª Convenção Geral.

76. Claramente, a idéia de um Pacto Anglicano é consistente com a história de missão da Igreja Episcopal e está adequado aos esforços interanglicanos atuais de articular e afirmar a natureza da nossa responsabilidade e interdependência mútuas no Corpo de Cristo. Comentando a idéia do WR de um Pacto Anglicano e da possível resposta de Dromantine, o Arcebispo de Cantuária Rowan Williams disse em sua Carta Pastoral do Advento de 2004 aos Primazes da Comunhão:

Não há dúvida de que nós estamos em um ponto no qual a forma e o caráter futuros da Comunhão depende de nossas escolhas. Quais serão essas escolhas é algo que será determinado por vários encontros e consultas nos meses vondouros, especialmente no Encontro dos Primazes. O documento Windsor inicia um futuro possível no qual, de boa vontade, nós nos unimos mais através de um tipo de pacto. Eu espero que nós vejamos virtude nisso. Ninguém pode ou irá impor isso, mas ele pode ser uma forma criativa de expressar uma unidade que não é tirânica nem teórica. Nós temos experiência de fazer pactos com os nossos companheiros ecumênicos; por que não poderia haver compromissos adequados que nós poderíamos fazer entre nós de modo livre e honesto?

77. Nutridos pela Escritura e pelos Sacramentos e compartilhando uma fé comum com irmãs e irmãos em Cristo ao redor do mundo, nós acreditamos que a Igreja Episcopal irá participar das conversações sobre o pacto dentro da Comunhão. A Comissão Especial acolhe os processos que levam ao desenvolvimento de um Pacto Anglicano como parte do nosso compromisso à interdependência e ao serviço em comum à missão de Deus. Nós recomendamos a procura de compromissos que nós possamos fazer uns com os outros de modo livre e honesto e recomendamos a adoção da resolução de um processo de desenvolvimento para o pacto. Nós acreditamos que essa resolução assinala adequadamente a intenção da Igreja Episcopal de manter o mais alto grau possível de comunhão com as igrejas da Comunhão Anglicana; e nós oramos para que os esforços para se desenvolver um Pacto Anglicano possam nos levar cada vez mais profundamente em direção ao nosso chamado de unidade e de serviço na missão de Deus.

 

Conclusão

 

78. Em nosso trabalho conjunto como Comissão, nós temos sido sempre lembrados da oração de Jesus para os seus seguidores no capítulo 17 do Evangelho de São João. Nós então nos recordamos – e pelo Espírito fomos levados a recordar enquanto orávamos, compartilhamos a Eucaristia, estudamos as Escrituras e a tradição e nos esforçamos para procurar e para servir a Cristo uns nos outros enquanto baseávamos as nossas deliberações no nosso Batismo comum – das maneiras que a nossa unidade em Cristo é um dom que vem gratuitamente da união de Cristo com o Deus Pai e ao mesmo tempo um modo pelo qual o mundo vivencia o amor de Deus. De fato, nós esperamos que o nosso trabalho seja uma testemunha do que vivenciamos: de que a nossa unidade como membros do Corpo de Cristo está indissoluvelmente relacionada à missão de Deus, na qual a Igreja participa. Deus é Um e, portanto, o povo de Deus é um; a missão de Deus é reconciliar todos da criação uns com os outros e com Deus em Cristo e portanto o Corpo de Cristo, por sua natureza em Cristo, deve servir de instrumento de reconciliação. Em resumo, nós estamos sendo continuamente chamados para viver mais plenamente na oração de Jesus, que diz que todo o povo de Deus poderia “se tornar completamente um, de modo que o mundo saiba que você me mandou e os amou do mesmo modo que me amou” (João 17:23).

79. Possa todo o Corpo de Cristo – fazendo a paz e partindo o pão, curando o doente e alimentando os famintos, sustentando a dignidade e procurando fortalecer as mulheres, homens e crianças – preencher mais profundamente a exortação de que:

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes chamados em um só corpo; e sede agradecidos. Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instrui-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai. (Colossenses 3:12-17)                                                                                         

Traduzido do site da ECUSA - www.episcopalchurch.org
 

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