Igreja Episcopal da Escócia vota para permitir o casamento igualitário

Igreja Episcopal da Escócia

O Sínodo Geral da Igreja Episcopal da Escócia votou a favor de que casais homoafetivos casem na igreja. O voto significa que a lei canônica da Igreja será modificada – a remover a definição de que o matrimônio é entre um homem e uma mulher. Significa que cristãos homossexuais de qualquer Igreja Anglicana agora poderão pedir para casar em uma Igreja Anglicana da Escócia.

Uma nova seção será adicionada aos cânones, reconhecendo que há diferentes entendimentos do matrimônio que agora permitem ao clero celebrar o casamento entre casais do mesmo sexo, assim como casais de sexos opostos. Os cânones revistos estipularão que nenhum membro do clero terá que celebrar um casamento contra sua consciência.

Após a votação, o Secretário-Geral da Comunhão Anglicana, Arcebispo Josiah Idowu-Fearon, publicou a seguinte declaração:

“As igrejas da Comunhão Anglicana são autônomas e livres para tomarem suas próprias decisões de leis canônicas. A Igreja Episcopal da Escócia é uma de 38, e em breve 39, províncias que abrangem mais de 165 países pelo mundo”.

“A decisão de hoje da Igreja Episcopal da Escócia em aprovar mudanças na lei canônica sobre o matrimônio não é uma surpresa, dado o resultado da votação do Sínodo um ano atrás. Há visões diferentes sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo na Comunhão Anglicana, mas isto coloca a Igreja Episcopal da Escócia em desacordo com a posição majoritária de que o matrimônio é a união para a vida entre um homem e uma mulher. Isso é um afastamento da fé e ensinamento afirmados pela grande maioria das províncias anglicanas na doutrina do matrimônio. A posição da Comunhão Anglicana sobre a sexualidade humana é claramente estabelecida na Resolução 1.10 acordada na Conferência de Lambeth de 1998, e permanecerá assim, ao menos que seja revogada”.

“Como Secretário-Geral, quero que as igrejas da Comunhão Anglicana permaneçam comprometidas em caminharem juntas no amor de Cristo e a descobrirem em como manter nossa unidade e apoiar os valores de todos os indivíduos, apesar das diferenças profundas. É importante salientar a forte oposição da Comunhão à criminalização das pessoas LGBTIQ+”.

“Os primazes da Comunhão se encontrarão em Cantuária em outubro. Tenho certeza que a decisão de hoje estará entre os tópicos que serão discutidos em oração. Não haverá uma resposta formal à votação da Igreja Episcopal da Escócia até que os primazes se encontrem”.

As três “casas” do Sínodo Geral da Igreja Episcopal da Escócia – bispos, clérigos e leigos – votaram a favor com uma maioria de dois terços. A margem mais apertada foi na Câmara dos Leigos. O resultado foi o seguinte:

A favor

Contra

Bispos (4) – 80%

Clero (42) – 67.7%

Leigos (50) – 80.6%

Bispos(1) – 20%

Clero (20) – 32.3%

Leigos (12) – 19.4%

Ao responder sobre a votação, o Primaz da Igreja Episcopal da Escócia, Revmo. David Chillingworth, disse:

“Este é um passo importante. Ao remover o gênero de nosso cânone sobre matrimônio, nossa igreja agora afirma que um casal do mesmo sexo não está apenas casado, mas casado aos olhos de Deus… Mas esta mesma decisão é difícil e dolorosa para outros cuja integridade na fé lhes diz que esta decisão não é bíblica e é profundamente errada. Para eles, este novo capítulo parecerá uma exclusão – como se a igreja deles se afastou. Então, a jornada que nós agora começamos também precisa ser uma jornada de reconciliação. Toda comunidade de fé precisa encarar as questões ligadas a sexualidade humana – de sua própria maneira em seu próprio tempo. Outros chegarão a respostas diferentes da nossa. E a Comunhão Anglicana, que está incorporada em nossa história e a qual nós estamos profundamente comprometidos – A Comunhão Anglicana terá que explorar se seu comprometimento histórico de unidade na diversidade pode adotar esta mudança”.

O Bispo David clamou a Igreja Episcopal da Escócia a abordar a mudança com verdade, graça e aceitação de uns pelos outros:

“Nós devemos levar nossas vidas adiante com duas honrosas e históricas compreensões do matrimônio – um que vê o casamento de casais do mesmo sexo como uma expressão cristã de boas-vindas e aceitação – e outra que diz que a visão tradicional co casamento foi ordenada por Deus e definido pelas Escrituras. Esta é a jornada. Este é agora o chamado desta igreja”.

A votação ocorreu após um debate no Sínodo. Ian Ferguson da Diocese de Orkney falou ao introduzir a modificação: “Seria como dizer que Jesus errou. É incontestável dizer que Jesus falava apenas à época que ele vivia. Nós desobedeceremos a Jesus; mudar a doutrina do matrimônio é um movimento cismático que danificará nosso relacionamento com nossos irmãos e irmãs por toda a Comunhão Anglicana”.

Stephen Townsend da Diocese de Aberdeen argumentou: “Todos nós concordamos que esta igreja tem apenas uma cabeça – Jesus Cristo. Estamos dizendo que nós, o corpo de Cristo, temos visões diferentes sobre o matrimônio em Cristo, nossa cabeça? Se nós não aderirmos a seus ensinamentos, nós não somos nem um pouco a igreja de Jesus Cristo”.

No entanto, aqueles a favor argumentaram que a questão era sobre aceitação e amor. Victoria Stock da Diocese de Edimburgo expressou a dor da exclusão que ela encontrou no passado: “Eu acredito que Jesus nos diria para superarmos isto. Esta votação não é sobre um lado ganhar ou triunfar sobre o outro. É sobre alcançarmos uns aos outros… unidade é sobre sairmos para fora de nós e vermos o outro; nós, a Igreja Episcopal da Escócia, temos algo especial para oferecer ao mundo. Nós podemos oferecer a generosidade do coração”.

Publicado em 08/06/2017 no site Anglican Communion News Service.