Carta pastoral sobre a greve geral

Queridas(os) irmãs(aos) da DASP

A Paz do Senhor!

Diante de uma situação de desmonte do Estado brasileiro, em que os principais direitos sociais, trabalhistas e previdenciários são golpeados numa reforma que, conforme afirmou, em seu pronunciamento aos anglicanos brasileiros, nosso Primaz, Dom Francisco, não foi discutida com a sociedade brasileira, mas foi construída nos gabinetes de um governo ilegítimo, é nosso dever profético e pastoral apoiar a Greve Geral do dia 28 de abril.

Esta será a quarta greve geral no Brasil, sendo que a primeira aconteceu cem anos atrás, em 1917, e durou trinta dias. A maior greve geral aconteceu mais recentemente, em 1989, quando atingiu 70% da população economicamente ativa na época. Diante de uma situação de arrocho salarial crescente, altíssimos níveis de desemprego e uma inflação que passava de cerca de 2.000% ao ano, o movimento dos trabalhadores protestou novamente com uma greve geral, pois a greve é um recurso dos trabalhadores previsto na Constituição Federal na defesa dos seus direitos.

Hoje, independente de interesse partidário, temos que dizer “não” ao ataque que o povo brasileiro está sofrendo com as reformas da Previdência e Trabalhista. Por isso, somando-nos aos manifestos do nosso Primaz, da Câmara Episcopal da IEAB e de inúmeras igrejas, convocamos as pessoas de boa vontade, que trilham os caminhos do Reino, para darem seu testemunho de amor a Deus e ao próximo e trabalharem para atender o que nos exorta o salmista: “Protejam o fraco e o órfão, façam justiça ao pobre e ao necessitado, libertem o fraco e o indigente, e os livrem da mão dos injustos!” (Sl 82.3-4).

Contra toda a desigualdade e exclusão social, vamos nos unir para reverter esse quadro que nos ameaça. Conforme exorta a Câmara Episcopal da IEAB, “vamos nos mobilizar em favor dos direitos das pessoas trabalhadoras, da melhor condições de trabalho e do amparo justo especialmente para os mais pobres e vulneráveis de nossa sociedade. Como poderemos ter paz, se promovemos a injustiça, a morte e a exclusão?”.

Que o Senhor nos abençoe!

São Paulo, 25 de abril de 2017.

Dom Flávio Irala

Bispo Diocesano