Mulheres Anglicanas prometem “mudar o mundo” após a conferência da ONU sobre o empoderamento econômico

Delegadas da UNCSW. Crédito da foto: ACNS

As delegadas anglicanas que participaram da Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher (UNCSW) em Nova York voltaram para suas casas prometendo “mudar o mundo” após descreverem um tempo que mudou suas vidas na ONU.

O grupo, deformado por mais de 20 países, disse que a UNCSW61 – que focou no empoderamento econômico das mulheres – foi “uma inestimável experiência de auxílio espiritual e político para nós e para nossas comunidades”.

Em uma declaração para o Conselho Consultivo Anglicano (ACC), o grupo disse: “Nós voltamos para o cenário de nossas casas transformadas com uma nova paixão, energia e muitas ideias a perseguir pela justiça de gênero, seja no cenário local ou internacional…”.

Elas disseram que o empoderamento econômico requer que as mulheres sejam incluídas na liderança e tomada de decisões em todos os níveis da sociedade. Elas acrescentam que a habilidade das mulheres em ganhar um salário-mínimo é crítico para sua subsistência, independência e habilidade em prover para suas famílias. O empoderamento econômico poderia ser facilitado de numerosas maneiras, incluindo o acesso à educação de qualidade, ao sistema de saúde, financeiro e oportunidades comerciais.

A declaração também clama que o ACC tome várias ações em resposta, incluindo:

  • Encorajar as províncias a agirem para garantir a participação plena das mulheres e meninas na vida da igreja;
  • Apoiar as províncias a encorajarem a plena participação das mulheres em todos os níveis de liderança da igreja;
  • Arrecadar fundos para treinar mulheres a participarem no governo e na igreja;
  • Denunciar publicamente líderes que implícita ou explicitamente estejam envolvidos com a violência baseada em gênero.

As delegadas anglicanas – mais outras da Igreja Episcopal e da Mothers’ Union – estavam entre as mais de 3.900 pessoas participando do evento de duas semanas em Nova York. No total, 580 organizações da sociedade civil, organizações não-governamentais e grupos religiosos foram representados.

Centenas de eventos ocorreram paralelamente à Comissão. A Comunhão Anglicana organizou um evento onde as mulheres religiosas e construtoras da paz no Sudão do Sul e um segundo em Hiroshima como um lugar de peregrinação. Também houve a apresentação de Fershteh Forough sobre o status econômico das mulheres afegãs.

Estabelecer a amizade e construir relacionamentos foi outra parte importante do trabalho nos eventos da UNCSW. Uma delegada, Noreen Njovu da Zâmbia, disse que as anglicanas aprenderam muito umas cm as outras.

“Percebemos que nós temos quase os mesmos problemas e foi interessante aprender como outras estão tentando resolver os problemas”, disse. “Toda mulher e menina tem os seus direitos. Nós sabemos que existem várias organizações que podem ajudar as mulheres e meninas quando elas sofrem discriminação”.

Sar Kabaw Htoo de Myanmar disse que ela ficou inspirada e empoderada a falar com confiança sobre justiça social em sua própria comunidade.

“A força que tivemos umas com as outras enquanto estivemos aqui em Nova York não pode se perder”, disse. “Há muitas questões pelo mundo, mas todas tentamos ajudar ao vizinho que está em necessidade. E sinto abençoada sendo anglicana sob o guarda-chuva da Comunhão Anglicana”.

A Diretora para Mulheres na Igreja e Sociedade da Comunhão Anglicana, Terrie Robinson, foi positiva sobre o resultado da UNCSW:

“Uma voz de fé ambiciosa pelo status igualitário da mulher na sociedade é vital na CSW, assim como nas sessões de outros mecanismos da ONU. As delegadas anglicanas têm os valores dinâmicos de sua fé, assim como experiências de base e histórias a compartilhar. De certo modo, sua presença nos corredores da sede da ONU é um lembrete aos negociadores dos Estados-Membros da ONU que nós queremos ver uma agenda que avance para as meninas e mulheres – e que nós os chamaremos a prestar contas”.

“As Conclusões Aprovadas negociadas durante a sessão deste ano já foram publicadas e servirão para moldar a política, legislação e ação para o empoderamento econômico das mulheres em todo o mundo. Elas incluem um conjunto de recomendações para os governos, entidades intergovernamentais, sociedade civil e outras partes interessadas, para a implementação em todos os níveis, do internacional ao local”, disse.

“As Conclusões Aprovadas no papel não mudarão muita coisa. Nós precisamos trabalhar fiel e persistentemente para garantir que tais boas intenções entrem na consciência de nossas nações e comunidades para fazerem a diferença ali”.

Publicado em 28/03/2017 no site Anglican Communion News Service.