Líderes cristãos e muçulmanos condenam “tendências agressivas e atos criminosos”

A delegação anglicana no Encontro Cristão – Muçulmano em Teerã, Irã.

A delegação anglicana no Encontro Cristão – Muçulmano em Teerã, Irã.

Delegações de líderes do Islã Xiita e Sunita, da Igreja Católica Romana e da Igreja Anglicana / Episcopal disseram que o ódio, humilhação e perseguição baseados em compreensões distorcidas da Bíblia ou do Corão “ofendem a Deus”. A declaração está contida no Chamado à Ação, publicado pela Quarta Sessão do Encontros Cristão – Muçulmano, que aconteceu de 7 a 9 de novembro na capital iraniana, Teerã. No encontro, líderes religiosos condenaram “tendências agressivas e atos criminosos contra nações, grupos e indivíduos”.

Eles disseram que mulheres, crianças e minorias étnicas e religiosas são “os primeiros alvos de interpretações errôneas” dos textos sagrados das duas religiões. E afirmam que a presença “vital” das mulheres no diálogo inter-religioso tem sido “indispensável”.

E continuam: “As mulheres carregam o impacto desproporcional de conflitos violentos e portanto vão a mesas de negociação para a paz com uma compreensão especial das necessidades dos mais marginalizados e vulneráveis… Nós não deveríamos permitir qualquer interpretação ou manipulação ideológica do verdadeiro significado de nossos respectivos textos religiosos sobreponha nossa preocupação com o tratamento probo, igualitário, justo e compassivo de todas as pessoas humanas”.

O Chamado à Ação, sobre o tema de respeito à dignidade humana – fundamento para a paz e segurança, condena “práticas abomináveis de sequestro e conversão de jovens meninas por homens mais velhos, seja onde aconteça esta prática”.

O documento inclui declarações sobre a proteção de minorias religiosas. Ele diz que “conceitos de crente/não-crente (Mumin/Kafir), não deveria afetar os direitos e relacionamentos sociais dos cidadãos”. Ele condena “manipulações da lei de blasfêmia para desculpar comportamentos criminosos”, assim como a “imposição colocada na liberdade da prática religiosa, inclusive entre trabalhadores migrantes em países nos quais a maioria religiosa é diferente de sua própria [religião]”.

Nele, os líderes religiosos “observam com urgente preocupação e profunda tristeza” o que eles descrevem como a maneira que os textos religiosos “algumas vezes são mal interpretados, instrumentalizados e distorcidos para justificar e facilitar atos de ódio, discriminação, exclusão, violência e terrorismo contra outros”. E eles chamam por uma “releitura, compreensão renovada e ensinamento preciso de nossas crenças religiosas, valores e princípios, respeito a todas as pessoas humanas, da dignidade humana, e dos direitos e responsabilidades humanas”.

Eles dizem que todos os líderes religiosos deveriam “ler e interpretar os textos sagrados no contexto e estar preparados não apenas para defender suas próprias tradições religiosas, mas também, quando necessário, a serem auto-reflexivos e autocríticos sobre estas tradições e textos”. E que “a vontade de ser autocrítico pode constituir uma maneira significativa de contra-atacar o fanatismo”.

As delegações se comprometeram a “promover uma cultura de não violência” e a “proteger a liberdade do pensamento humano, crença, e prática religiosa, ao respeitar a dignidade humana de todas as pessoas”. Eles também disseram que deveriam trabalhar para “erradicar a fobia religiosa e/ou perseguição, seja ela direcionada a muçulmanos, cristãos, ou outros grupos religiosos, e prevenir insultos, desfiguração ou destruição de símbolos religiosos, arte, edifícios e textos”.

O Chamado à Ação foi assinado em nome das quatro delegações pelo Aiatolá Professor Sayyed Mostafa Mohaghegh Damad, Diretor de Estudos Islâmicos na Academia de Ciências do Irã; Shaikh Dr Mahdi al-Sumaidaei, o Grande Mufti dos Muçulmanos Sunitas no Iraque; Cardeal John Onaiyekan, Arcebispo da Arquidiocese Católica de Abuja na Nigéria; e Bispo John Chane, Consultor Sênior para o Diálogo Inter-religioso da Catedral Nacional de Washington dos EUA.
A delegação Anglicana / Episcopal também incluiu o Dr. Josiah Idowu-Fearon, Secretário-Geral da Comunhão Anglicana; Arcebispo Paul Kwong, Primaz de Hong Kong e Presidente do Conselho Consultivo Anglicanao; Revda. Chloe Breyer, Diretora Executiva do Centro Inter-religioso de Nova York; Sra. Ruth Frey, Oficial Sênior do Programa para Justiça e Reconciliação da Trinity Church Wall Street em Nova York; e o Rev. Cônego John Peterson, Diretor do Centro para Justiça Global e Reconciliação da Catedral Nacional de Washington, que atuou como co-coordenador para Encontros Cristãos – Muçulmanos.

Além das quatro delegações, o encontro teve a participação de representantes da Igreja Ortodoxa Armênia, e líderes judeus e zoroastristas.

As quatro delegações disseram que continuarão o trabalho realizado nos quatro encontros e o expandirão em “uma rede de diálogo e interação entre líderes de centros inter-religiosos e organizações em várias partes do mundo”.

Eles dizem: “ao agir assim, nós firmemente acreditamos que glorificaremos a Deus e construiremos um mundo pacífico e seguro, uma casa comum para todas as pessoas, que estará repleta de alegria, harmonia, amor, respeito, igualdade e justiça”.

Texto escrito por Gavin Drake, publicado em 10/11/2016 pelo Anglican Communion News Service.