Jerusalém: a cidade da paz

Cenáculo e Tumba de David, construções no Monte Sião, em Jerusalém.

Cenáculo e Tumba de David, construções no Monte Sião, em Jerusalém.

A vocação de Jerusalém é como uma cidade da paz, disse o Arcebispo em Jerusalém, Revmo. Suheil Dawani. A declaração aparentemente incongruente foi feita em um discurso no Centro Carter em Atlanta, Georgia (EUA), no qual ele falou sobre o papel da Igreja como construtora da paz em um contexto multirreligioso.

“A vocação de Jerusalém é ser uma cidade da paz”, disse. “Seu próprio nome nos convida a explorar a diversidade e paz dentro de uma realidade compartilhada. Em primeiro lugar, como é sabido, o elemento salem no nome de nossa cidade se refere a palavra para paz tanto em hebraico como árabe: Shalom e Salaam”.

“Por outro lado, a forma dual da palavra em hebraico sugere um tipo de pluralidade sobre este lugar de paz. A própria forma da palavra nos convida a imaginar Jerusalém como mais do que uma simples realidade, mas como um local no qual a rica diversidade é parte integral do Shalom/Salaam encontrado dentro de suas muralhas”.

Ele explicou que em todo o Oriente Médio, e particularmente em Jerusalém, a religião é parte “integral da identidade dos indivíduos, famílias, comunidades e sociedades nacionais”. Isto nem sempre é reconhecido no Ocidente secularizado, onde a “religião parece ser um atributo pessoal opcional”.

“A diversidade religiosa de Jerusalém é aparente até mesmo ao observador casual, e algumas vezes a diversidade leva ao conflito que envergonha todas as pessoas de fé”, disse. O Arcebispo explicou que ele não estava se referindo apenas a diferenças entre cristãos, judeus e muçulmanos; mas também a diferenças dentro destes grupos.

“Nossa diversidade religiosa, e a competição que ela muitas vezes alimenta, frequentemente tem sido parte do problema em nossa região. No entanto, essa mesma diversidade também pode ser um trunfo enquanto buscamos aprofundar a confiança e reduzir a violência”.

Ao explicar o “papel essencial” da Igreja no “complexo contexto social e político” de Jerusalém, o Arcebispo Dawani falou sobre a necessidade de “desenvolver, compreender e praticar a teologia da presença como forma de missão”; e também disse: “Tal teologia não ignorará o testemunho e evangelização ou se afastará de pessoas atraídas para o cristianismo de outras comunidades religiosas. Mas entenderá que a evangelização pró-ativa é problemática e até mesmo inútil em nosso contexto”.

Ele continuou a explorar a presença da Igreja através de áreas de fé, esperança, hospitalidade, serviço, solidariedade, profecia e justiça.

“As sete sugestões são alguns atributos essenciais de uma comunidade cristã que adota a teologia da presença divina”, disse. “Talvez você já tenha percebido que nenhum deles é um atributo exclusivamente cristão, apesar de serem atributos autenticamente cristãos”.

“Talvez nisto resida nossa maior tarefa como comunidade cristã engajada no diálogo inter-religioso. Quando somos verdadeiros à nossa vocação mais profunda, estamos mais próximos à vocação de nossos colegas de outras fés”.

“Ao sermos aqueles a que Deus nos chama a ser, encorajamos e apoiamos as pessoas de outras fés e também a que Deus os chamam a ser. Se toda comunidade religiosa em Jerusalém e no Oriente Médio praticasse esses sete atributos, então nossa região seria um lugar mais pacífico, e talvez até mesmo um modelo de justiça e reconciliação para outras partes do mundo”.

O Arcebispo Dawani concluiu sua palestra com exemplos da presença da Diocese Anglicana Episcopal de Jerusalém na região, incluindo o Centro Princesa Basma em Jerusalém Oriental; o Hospital Al Ahli Arab em Gaza; a Escola Theodore Schneller em Amã, Jordânia; e o St. Luke’s Hospital em Nablus. “Cada uma dessas instituições, e muitas outras além delas, dão glória a Deus e servem a nossos vizinhos em seus momentos de necessidade”, disse. “Elas não competem com outros ou buscam retirar as pessoas de suas comunidades de fé. Elas são apenas a expressão da presença cristã, e desta forma, são sinais da presença de Deus em todos nós”.

Texto escrito por Gavin Drake, publicado em 10/05/2016 pelo Anglican Communion News Service.