Ah, pobre Shakespeare: controvérsia do crânio é muito barulho por nada

N.do.T. – William Shakespeare foi batizado em 26 de abril de 1564 em Stratford-upon-Avon, Warwickshire, Inglaterra, e faleceu em 23 de abril de 1616 na mesma cidade.

Um apelo de um vigário inglês pela permissão de realizar um teste de DNA em um crânio de uma igreja de Worcestershire e verificar se este pertencia ao dramaturgo William Shakespeare foi recusado por um juiz da Igreja da Inglaterra que julgou que “não há nenhuma base factual” fora apresentada para “justificar exumação, remoção ou investigação”.

A lenda local diz que o crânio de Shakespeare foi roubado de sua tumba em 1794, próxima do altar da Igreja da Santíssima trindade em Stratford-upon-Avon, após três homens locais terem ouvido existir uma recompensa de £300 por ela. Após falhar em persuadir o historiador a entregar o dinheiro, e não querendo correr o risco de invadir novamente a sepultura, o crânio foi colocado no jazigo da Igreja de São Leonardo em Beoley.

Mas, independente da lenda local, que os historiadores consideram ser um mito, não há evidências que apoiem a história ou sugiram que a sepultura de Shakespare tenha sido invadida. E tampouco a origem do crânio de Beoley é conhecida.

Com a proximidade do aniversário de 400 anos da morte de Shakespeare, uma empresa produtora de televisão queria fazer um documentário que seguiria até a Universidade de Staffordshire enquanto estes realizassem um exame científico do crânio.

A empresa produtora queria remover o crânio do jazigo antes de submetê-lo a uma digitalização a laser, datação por radiocarbono e a uma análise antropológica, antes de devolvê-lo ao jazigo. Eles também queriam comparar o DNA do crânio com o de um descendente da irmã de Shakespeare para determinar se eles são parentes.

Mas a Igreja da Inglaterra está sujeita à Faculty Jurisdiction Measure – uma lei que diz que a permissão de um chanceler diocesano – o juiz de um tribunal consistório – precisa ser obtida antes de que o trabalho possa ser realizado em igrejas ou em itens históricos contidas dentro delas.

O vigário, Revdo. Paul Irving, disse à corte que “Esta não é uma expedição de pesca; há uma questão real a ser determinada, que não é apenas se o crânio possa ser de William Shakespeare, mas de quem é o crânio, quão antigo ele é, e o que podemos descobrir sobre essa pessoa”.

Embora seja compreensível aplicar o ceticismo do século vinte e um a uma história do século dezenove, seria útil para resolver a questão de uma vez por todas ao se utilizar técnicas científicas modernas. E qualquer informação a respeito de outras criptas ou jazigos, adquiridas no âmbito da presente investigação, aumentaria consideravelmente o conhecimento sobre o prédio”.

Mas o juiz da Corte Consistória da Diocese de Worcester, Chanceler Charles Mynors, deferiu que há evidências de um número de historiadores e especialistas deram provas que lançaram dúvidas à história. Rejeitando o pedido, disse: “Não vi nenhuma evidência acadêmica ou de outra origem que apoie verdade para a história”.

Já observei que o Professor [Stanley] Wells [um dos mais preminentes estudiosos Shakespearianos, e ex-presidente do Shakespeare Birthplace Trust] concluiu que não se poderia descartar a possibilidade que não há um grão de verdade nisso; mas que talvez seja o mais baixo nível possível de prova, logo acima algo que está sendo classificado como completa invenção”.

Daqui resulta que o crânio na cripta de Beoley é apenas isto – um crânio humano desarticulado, de idade e sexo desconhecido. Não há evidências de quando, como ou porque terminou no jazigo… e não há nada em particular para vinculá-lo a William Shakespeare”.

Ele disse que “Toda a empreitada é inteiramente especulativa… a evidência apresentada pelos peticionários falha a se aproximar dos padrões requeridos; e a pesquisa proposta não tem prospectos realistas de produzir conhecimento proveitoso”.

A cada ano, mais de 200.000 pessoas de todo o mundo visitam a Igreja da Santíssima Trindade em Stratford-upon-Avon, a igreja na qual Shakespeare foi batizado, onde ele adorou a Deus e onde ele foi enterrado. Este número provavelmente vai aumentar no ano do 400º aniversário de sua morte.

Publicado originalmente em 03/11/2015 no site Anglican Communion News Network.