ACC-16 termina em Lusaka com nota de unidade em meio a diversidade

ACC-2016 LusakaO presidente do Conselho Consultivo Anglicano que terminou seu mandato ao fim do ACC-16 (em 19 de abril), disse que o encontro criou uma visão única do corpo de Cristo, e seus participantes sentiram que Deus estava presente com eles.

Pudemos ver o que nossa diversidade e que algumas de nossas diferenças culturais, linguísticas e no modo se ser verdadeiramente enriquecem o corpo de Cristo”, disse o bispo aposentado do Malawi, Bispo James Tengatenga, durante a coletiva de imprensa de encerramento em 18 de abril, o último dia completo do encontro de 9 a 19 de abril na Catedral da Santa Cruz.

Foi uma celebração da vida na igreja e Deus esteve conosco”, disse.

O Arcebispo de Cantuária Justin Welby, falando na mesma coletiva de imprensa, disse que a Eucaristia de abertura do encontro, que combinou centenas de anglicanos com o presidente da Zâmbia, Edgar Chagwa Lungu, e Kenneth Kaunda, o primeiro presidente do país, e outros funcionários do governo, sintetizou o que é o trabalho da igreja.

Chamando o culto de “uma celebração extremamente alegre”, Welby disse que “resumiu muito sobre o quê é a igreja”. A celebração deu a sensação de que “nós podemos contar com Cristo por força até mesmo nos momentos e lugares mais difíceis; a buscar a verdade como o bispo presidente [da Igreja Episcopal] chama um povo de Jesus”.

Esta unidade em Cristo ecoou no dia 19 de abril, último dia do encontro, quando o Bispo de Nairóbi, Joel Waweru, disse ao Conselho que sua experiência no encontro e sua eleição ao Conselho Permanente no dia anterior foi um “grande passo para a igreja no Quênia”.

O Arcebispo do Quênia, Eliud Wabukala foi um dos quatro líderes provinciais – os outros foram o Arcebispo de Uganda Stanley Ntagali, Arcebispo da Nigéria Nicholas Okoh e o Arcebispo de Ruanda Onesphore Rwaje – que disseram que não enviariam seus membros do ACC para o encontro. No entanto, os três membros do ACC do Quênia foram, e Wabukala reconheceu esta decisão, alegando que estes três membros foram “encorajados a ignorar meu conselho espiritual e participarem da reunião”. Waweru é um dos seis candidatos que em breve concorrerão à eleição para Arcebispo do Quênia.

Todos os três membros do ACC da Igreja Episcopal disseram que foram calorosamente acolhidos na reunião, apesar das tensões que tem sido latentes desde a decisão da 78ª Convenção Geral em mudar a linguagem canônica que define o casamento como sendo entre um homem e uma mulher (Resolução A036) e autorizar dois novos ritos de matrimônio com uma linguagem que permite serem usados para casais do mesmo sexo ou de sexo oposto (Resolução A054).

Os membros leigos Rosalie Ballentine, representante da Diocese de Virgin Islands; Presidente da Câmara dos Deputados, Rev. Gay Clark Jennings, membro do clero; e Ian Douglas da Diocese de Connecticut, se reuniram com Welby na noite de 15 de abril; sua esposa, Caroline; David Porter, diretor comunhão de reconciliação; e o Rev. Cônego Precious Omuku, conselheiro de assuntos da comunhão.

Isto me deu uma valorização maior de seu papel e responsabilidade, e o peso da responsabilidade que acarreta”, Jennings disse durante a conversa entre os três membros ao final do dia 18 de abril. “Penso que isso deu um sentido mais profundo de quem somos na Igreja Episcopal”.

Douglas concordou, dizendo que o encontro teve uma “atmosfera relaxada na qual pudemos ser bem honestos e abertos de como algumas das ações da Comunhão Anglicana nos impactou”. E disse que os três puderam compartilhar o “impacto emocional” do comunicado dos primazes.

Ballentine, que foi designada com Welby para o mesmo grupo de trabalho durante o encontro, disse que o Arcebispo foi “muito gracioso do começo ao fim”.

Penso que ele tem uma estima por quem nós somos”, disse ela, adicionando que ela tem a sensação que “a busca por equilíbrio de uma pessoa em sua posição tem que lidar com algumas vozes barulhentas dos dois extremos do espectro”.

Houve variados níveis de pressão, em conjunto com um sentimento de expectativa, sobre como o ACC responderia ao chamado de janeiro dos primazes da comunhão para três anos de “consequências” para a Igreja Episcopal por suas ações sobre o matrimônio. “É tanto meu desejo, esperança e orações, como dos primazes, que o Conselho Consultivo Anglicano também deva compartilhar o trabalho pelas consequências de nossos relacionamentos debilitados”, disse Welby em seu relatório formal sobre as ações dos primazes no primeiro dia da reunião ACC.

E, enquanto há muita discussão informal e até mesmo negociações por trás dos panos, ao final, o conselho simplesmente observou em uma resolução apelidada de C34 que “recebeu” o relatório de Welby e reafirmou o compromisso dos primazes em caminharem juntos. A resolução (chamada de C34) também comprometeu o Conselho a “continuar a buscar maneiras apropriadas para que as províncias da Comunhão Anglicana caminhem juntas umas com as outras e com os primazes e outros Instrumentos da Comunhão”.

A resolução foi proposta pela Igreja Episcopal do Sudão do Sul e pelo Arcebispo do Sudão Daniel Deng Bul Yak, e secundada por Harriet Baka Nathan, membro leiga da mesma província.

Jennings disse que ela e seus outros dois colegas estavam cientes da preocupação na Igreja Episcopal de como o ACC responderia à ação dos primazes. A resolução que passou “foi uma maneira de todos nós na comunhão de irmos adiante”.

Douglas disse que a resolução estava focada no trabalho do ACC e “não tanto no que os primazes fizeram ou disseram, o quê significa para nós vivermos juntos em nossas diferenças à luz de outra reunião que aconteceu alguns meses antes”. Os membros escutaram o relatório do Arcebispo, “considerando seu impacto em nossas vidas e então decidiram de acordo com nosso trabalho como ACC”.

Nós vamos olhar para trás para o dia de hoje e ver que a porta poderia ser aberta ou fechada”, disse. “Ela foi aberta”.

Outra resolução, nomeada C35, diz que o conselho “acolhe” o comunicado dos primazes, foi retirada pouco antes de seu debate agendado começar.

O trabalho do ACC que Douglas se referiu incluiu a revisão do trabalho feito pela comunhão desde a última reunião do ACC no inverno de 2012 e então mostrando o trabalho ainda a ser feito.

Há um número surpreendente de resoluções sobre questões que são de preocupações comuns, e, francamente, são situações desesperadoras em muitos lugares”, disse Jennings.

Jennings estava impressionado pelo fato de que “justiça de gênero e violência baseada em gênero surge em todas as províncias da comunhão e penso que o ACC e suas redes estão se esforçando em como responder a isto e descobrir maneiras concretas de resolver algumas destas questões que diminuem tantos seres humanos em nossas províncias”.

Ballentine também aponta uma série de resoluções que o ACC aprovou sobre instituir políticas de igrejas seguras por todas as províncias como um exemplo de como a questão de gênero foi abordada pelo conselho durante o encontro.

Ballentine, Dougas e Jennings publicaram uma carta para a igreja ao final do encontro.

O ACC também vivenciou o tema do encontro de “Discipulado intencional em um mundo de diferenças” ao aceitar o relatório chamado Discipulado Intencional e Criação de Discípulos: Um Guia Anglicano para a Vida e Formação Cristã, chamando para “uma estação de discipulado intencional” de agora até o ACC-18, que acontecerá aproximadamente em 2021. Douglas disse durante o encontro que tal chamado seria uma grande declaração sobre as prioridades da Comunhão.

O ACC concordou no último dia do encontro em corrigir sua constituição para permitir que o Comitê Permanente se encontre eletronicamente como uma maneira de reduzir a pegada de carbono da Comunhão. A vice-presidente de saída do ACC, Elizabeth Paver, advertiu que os encontros presenciais são inestimáveis, especialmente com o grande número de novos membros eleitos ao Comitê Permanente neste ano. No entanto, Margaret Swinson, sua sucessora, disse que a intenção adicional da alteração é permitir encontros mais frequentes do comitê sem incorrer aos custos de viagens e hospedagens.

Dentre outras resoluções que foram aprovadas estão aquelas sobre a mudança climática, envolvimento da juventude na comunhão, solidariedade com os povos perseguidos e relacionamentos ecumênicos e inter-religiosos. Paver disse durante a coletiva de imprensa final que as resoluções do ACC podem ser vistas como um comissionamento dos membros em retornar para suas províncias e promoverem a missão e ministério aos quais o se comprometeram no conselho.

E, Wilfred F. Baker, membro leigo da Igreja da Irlanda, disse durante a avaliação final que houve um “senso de propósito” durante o encontro “e nós podemos ir para casa e tentar levar isso para nossas igrejas”. Baker também disse que seu grupo de trabalho afirmou que, apesar dos desacordos, o encontro exibiu a unidade em meio a diversidade.

Suzane Lawson, membro leiga da Igreja Anglicana do Canadá, disse que quando ela for para casa, ela se esforçará em dizer às pessoas não apenas o que foi feito no ACC, mas também falará sobre os relacionamentos efetuados. “Eu quero que eles entendam suas irmãs e irmãos [em torno da Comunhão] como pessoas com histórias a contar”, disse.

Nós descobrimos que nossa identidade batismal supera tudo”, disse o Bispo de Chelmsford, Stephen Cottrell, bispo membro da Igreja da Inglaterra.

A 17ª reunião do ACC acontecerá em 2019 na Diocese de São Paulo, parte da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.

Uma vez que a sessão de 19 de abril terminou, os membros e funcionários do ACC se uniram nos degraus da Catedral, onde gravaram um filme com cumprimentos ao aniversário da Rainha Elizabeth II, que completa 90 anos em 21 de abril.

Texto escrito pela Revda. Mary Frances Schjonberg, editora e repórter para o Episcopal News Service. Publicado em 19/04/2015 no site Episcopal News Service.