Papa Francisco pede perdão pelo tratamento de cristãos não católicos

O Papa Francisco pediu perdão pelo comportamento com cristãos e igrejas não católico romanas que não refletem os “comportamentos não evangélicos”. O Papa fez seus comentários durante a celebração das Vésperas na Basílica São Paulo fora-dos-muros em Roma, na noite de 25 de janeiro, com a participação do representante do Arcebispo de Cantuária na Santa Sé, Arcebispo Sir David Moxon.A celebração foi realizada para marcar o fim da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, e também teve a participação do Metropolita Gennadios de Sássima do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Ao final da celebração, o Papa convidou o Metropolita Gennadios e o Arcebispo David que se unissem a ele ao abençoar a congregação.

Em sua página do Facebook, o Centro Anglicano de Roma descreveu a homilia e a bênção conjunta como “palavras muito poderosas e um gesto muito poderoso”.

“Neste Ano Jubilar Extraordinário da Misericórdia, tenhamos bem presente que não pode existir uma autêntica busca da unidade dos cristãos, sem uma plena entrega à misericórdia de Deus”, disse o Papa Francisco. “Peçamos, antes de tudo, perdão pelo pecado das nossas divisões, que são uma ferida aberta no Corpo de Cristo”.

“Como Bispo de Roma e Pastor da Igreja Católica, quero invocar misericórdia e perdão pelos comportamentos não evangélicos tidos por parte dos católicos em relação aos cristãos de outras Igrejas”.

“Ao mesmo tempo, convido todos os irmãos e as irmãs católicos a perdoar se, hoje ou no passado, sofreram ofensas de outros cristãos. Não podemos apagar aquilo que aconteceu, mas não queremos permitir que o peso das culpas passadas continuem a macular nossas relações. A misericórdia de Deus renovará as nossas relações”.

O Arecbispo Sir David Moxon disse que as palavras e gesto do Papa “imediatamente desafia os cristãos que não são católico romanos a responderem da mesma maneira, pedindo perdão pelos erros que cometemos e as feridas que infingimos no corpo de Cristo”.

Ele continua: “Esta confissão mútua traz um sentimento de perdão, graça, e esperança, e podemos estar mais próximos do que antes por causa disto. Tal movimento de graça de fato é uma bênção que todos nós podemos compartilhar”.

Em sua homilia, o Papa Francisco falou sobre a necessidade de evangelização, dizendo: “A missão de todo o povo de Deus é a de anunciar as obras maravilhosas do Senhor, a primeira entre todas o Mistério Pascal de Cristo, por meio do qual passamos das trevas do pecado e da morte ao esplendor da sua vida, nova e eterna”.

“À luz da Palavra de Deus que ouvimos, e que nos guiou durante esta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, podemos realmente dizer que todos nós que acreditamos em Cristo somos “chamados a proclamar as obras maravilhosas de Deus” (cfr 1 Pt 2,9)”.

“Acima das diferenças que ainda nos separam, reconhecemos com alegria que na origem da vida cristã existe sempre um chamado cujo autor é o próprio Deus. Podemos progredir no caminho da plena comunhão visível entre os cristãos, não somente quando nos aproximamos uns dos outros, mas sobretudo na medida em que nos convertemos ao Senhor, que por sua graça nos escolhe e nos chama a sermos seus discípulos”.

“E converter-se significa deixar que o Senhor viva e aja em nós. Por este motivo, quando juntos os cristãos de diversas Igrejas escutam a Palavra de Deus e procuram colocá-la em prática, dão realmente passos importantes em direção à unidade”.

“E não é somente o chamado que nos une; nos une também a mesma missão: anunciar a todos as obras maravilhosas de Deus. Como São Paulo, e como os fiéis a quem escreve São Pedro, também nós não podemos que não anunciar o amor misericordioso que nos conquistou e transformou”.

“Enquanto estamos a caminho, em direção à plena comunhão entre nós, podemos já desenvolver múltiplas formas de colaboração para favorecer a difusão do Evangelho. E caminhando e trabalhando juntos, percebemos que já estamos unidos no nome do Senhor”.

O texto completo da homilia do Papa Francisco pode ser lido no site da Rádio Vaticano.

Publicado pelo Anglican Communion News Service em 26/01/2016.