Carta aberta em defesa dos povos indígenas

“A morte pela terra, é a morte pela vida” (Damiana, liderança do Tekoha Apika´i)

“A morte pela terra, é a morte pela vida” (Damiana, liderança do Tekoha Apika´i)

Nós, mulheres reunidas no Encontro Nacional da União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil/UMEAB, de 9 a 12 de outubro de 2015, no bairro do Ipiranga em São Paulo, iluminadas pela profecia de Isaías “Não haverá mais crianças que vivam poucos dias nem pessoas idosas que não alcancem muitos anos” (65.20) e pelo desejo de Deus de vida plena e abundante para todas as criaturas e sua criação, juntamos nossas vozes e forças, sentimos, nos preocupamos e nos indignamos profeticamente com os povos indígenas, em especial com os guarani kaiowá da região do Mato Grosso do Sul.

Denunciamos porque, segundo dados do Conselho Indigenista Missionário/CIMI, nos últimos 12 anos, ao menos 585 indígenas cometeram suicídio e 390 foram assassinados, a violência instalada e sustentada pelo agronegócio de norte ao sul do país, em especial no Mato Grosso do Sul, demonstra que se trata de uma política de genocídio regada pelo sangue indígena.

Alertamos e nos indignamos com a falta de ação do poder público em todos os âmbitos (municipal, estadual e federal) em coibir a ganância desses grupos poderosos que violam os direitos dos povos tradicionais atacando de forma violenta a cultura dos indígenas, suas terras, sua dignidade e suas vidas.

Nós mulheres “queremos ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Amós 5.24), por isso, reafirmamos nosso apoio à campanha lançada pela Missão ecumênica por ocasião do ato realizado na Assembleia Legislativa do Estado do Mato Grosso do Sul sob o slogan: “a carne e a soja do MS tem sangue de crianças indígenas!” E recomendamos que sejam implementadas urgentemente:

  • a CPI do Genocídio;
  • a demarcação das terras indígenas;
  • a garantia de direitos: terra, território, identidade, cultura e língua;

Acreditamos ser inaceitável a omissão da igreja diante dessa situação, e proclamamos profeticamente em defesa da Vida, da Justiça, da Paz e da Integridade da criação.

São Paulo, 12 de outubro de 2015.

Participantes do Encontro Nacional da União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil

Publicado em 15/10/2014 pelo Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.