Implicações sobre o mútuo reconhecimento do sacramento do Batismo

“Fomos todos batizados num só Espírito para sermos um só corpo” (1Cor 12,13)

Tendo reconhecido mutuamente a validade do Batismo administrado na Igreja Católica, na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, na Igreja Presbiteriana Unida do Brasil e na Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, explicitamos as implicações espirituais e teológico-pastorais desse reconhecimento para todos os fiéis.

  1. Juntos professamos a fé batismal em Deus Pai, Filho e Espírito Santo; cremos que há um só Senhor, Jesus Cristo, uma só fé, um só batismo e aceitamos como vinculantes as verdades fundamentais do cristianismo, como são enunciadas nas Sagradas Escrituras, no Credo Apostólico e no Credo de Nicéia-Constantinopla. Continuaremos nos diálogos teológicos bilaterais e multilaterais, valorizando os resultados dos diálogos internacionais, para chegarmos a concordâncias doutrinais sobre os conteúdos básicos da fé cristã. Pedimos que os programas dos cursos de teologia sejam adequados à perspectiva ecumênica e os candidatos ao trabalho pastoral cultivem a espiritualidade ecumênica.
  2. Juntos professamos que a Igreja, corpo de Cristo, recebe a vida pela ação do Espírito Santo e que o Sacramento do Batismo significa uma participação na vida, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo, de modo que por este Sacramento os cristãos batizados são perdoados e justificados por Cristo. Comprometemo-nos, portanto, junto com os membros de nossas comunidades, a viver fielmente a vida nova em Cristo, assumindo pessoal e comunitariamente o seu projeto do Reino, reconhecendo e confessando nossos pecados, vivendo a conversão do coração e a solidariedade para com todos, caminhos imprescindíveis da santidade cristã.
  3. Juntos professamos que pelo Sacramento do Batismo, todos os cristãos participam do múnus profético, real e sacerdotal de Cristo. Comprometemo-nos, portanto, a reconhecer a igual dignidade de todos os batizados em Cristo, a considerar-nos irmãos e irmãs no Senhor e a apreciar mutuamente a fé e a graça que cada batizado recebeu como dom do Espírito Santo.
  4. Juntos professamos que o Sacramento do Batismo integra todos os batizados no corpo de Cristo, sua Igreja – una, santa, católica e apostólica, como é professada no Credo -. Na fé, na esperança e no amor formamos um só povo que confessa e serve a um só Senhor, Jesus Cristo, Deus e Salvador. Comprometemo-nos, portanto, a dar um testemunho cristão autêntico de reconciliação e de unidade, esforçando-nos todos a reconciliar as divisões que herdamos do passado, de modo que a união com Cristo, partilhada pelo Batismo, leve nossas Igrejas a viver uma unidade sempre mais profunda, “para que o mundo creia” (Jo 17,21).
  5. Cremos num só Batismo, fundamento da comunhão e vínculo sacramental da unidade entre todos os cristãos. Comprometemo-nos, portanto, a reconhecer a eclesialidade das nossas diversas tradições e a aprofundar a comunhão já existente entre nós, para chegarmos a uma compreensão e vivência comum da Igreja de Cristo.
  6. Entendemos que o Batismo compromete com a proclamação da Boa Nova do Reino da “vida em abundância”. A unidade no Batismo integra as nossas tradições eclesiais na missão de renovar todas as coisas em Cristo, com implicações na vida das pessoas e da sociedade. Comprometemo-nos a testemunhar o Evangelho na esperança escatológica do Reino que abarca a totalidade da vida de pessoas e de povos, da Igreja e da criação, vivendo e promovendo novas relações de justiça e de fraternidade.
  7. O Sacramento do Batismo, pela sua própria natureza, habilita e tende à comunhão plena no Corpo de Cristo, sua Igreja, particularmente à comunhão eucarística. Assumimos, portanto, o compromisso de trabalhar para superar as dificuldades que não nos permitem hoje manifestar uma plena comunhão entre nossas Igrejas. Empenhamo-nos, particularmente, para superar as barreiras que impedem a profissão da mesma fé na Eucaristia, como plenitude da vivência do Batismo que nos incorpora a Cristo e à sua Igreja.
  8. As condições para receber o Sacramento do Batismo são: a) a profissão de fé, que a Igreja prega desde o tempo dos apóstolos; b) a renúncia a tudo o que separa de Deus (ao mal, a satanás); c) o compromisso de participar da vida da Igreja. Comprometemo-nos, portanto, a realizar uma adequada formação nas comunidades cristãs, especialmente para pais, padrinhos e adultos batizandos, para ajudá-los a assumir conscientemente as condições e as consequências da fé e do Batismo, em nome próprio e em nome das crianças sob sua guarda.
  9. Aceitamos como válido o Sacramento do Batismo realizado por nossas Igrejas. Comprometemo-nos, portanto, a não criar impedimentos à aceitação do Batismo administrado pelas igrejas signatárias deste ato de reconhecimento mútuo e às suas implicações para a vida das Igrejas.
  10. Entendemos que o reconhecimento mútuo do Batismo é consequência do nosso seguimento de Cristo. Comprometemo-nos a trabalhar para que as implicações do reconhecimento mútuo do Batismo, acima definidas, concretizem e atualizem as formas do nosso seguimento de Cristo.

 

Dom Geraldo Lyrio Rocha – Igreja Católica

Dom Maurício de Andrade – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Pr. Dr. Walter Altmann – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

Pr. Manoel de Souza Miranda – Igreja Presbiteriana Unida do Brasil

Mons. Antônio Nakkoud – Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia

 

As Igrejas do CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil) assinaram o “Ato de Reconhecimento Mútuo da Administração do Sacramento do Batismo” e o documento “Implicações sobre o mútuo reconhecimento do sacramento do Batismo” no dia 15 de novembro de 2007 no Mosteiro de São Bento, em São Paulo (SP)